Falta de estrutura e tratamento 'diferenciado' compromete atuação da Polícia Civil em Rondonópolis
29 de Junho de 2012, 07h00
Fica cada dia mais evidente a distância entre as atuações das polícias Civil e Militar em Rondonópolis. Enquanto a PM tem se destacado pela eficiência nas operações, na Polícia Civil permanecem o ritmo modorrento e as práticas, digamos, 'não recomendadas'.
Além da escassez de agentes - para se ter uma ideia, temos apenas quatro investigadores da Delegacia de Roubos e Furtos -, nem todos os delegados contribuem para o bom andamento dos trabalhos. Dia desses, um deles chegou a fazer o plantão de sua própria casa - dificultando, por exemplo, a oficialização de prisões em flagrante.
Faltam também mais viaturas, armamentos e, pasmem, isonomia no tratamento das vítimas e deliquentes. A maioria dos jornalistas já notou que a origem social e condição econômica são determinantes no tratamento dos casos que chegam ao CISC.
Quando pobres, as vítimas são praticamente ignoradas e os delinquentes tratados como sub-humanos. Mas, se têm prestígio e dinheiro, o tratamento é VIP - seja para a vítima ou para os bandidos de 'origem nobre'.
Um exemplo desse tratamento 'diferenciado' aconteceu ontem, após a prisão de um jovem de classe média-alta acusado de espalhar notas falsas no comércio. Não fosse pela determinação dos próprios PMs que fizeram a prisão, o jovem teria conseguido passar desapercebido - já que até a imprensa teve dificuldade para obter informações junto às fontes tradicionais no CISC.
O caso é gravíssimo e merece, sem dúvida, a atenção do Ministério Público, do Poder Judiciário e da OAB.
Não vamos nem citar o Governo do Estado, porque já está claro que a SESP parece não ter nenhum interesse em melhorar a situação existente aqui. Uma lástima.