Na média
Senadora tenta evitar cassação
29 de Julho de 2019, 09h34
A ainda senadora Selma Arruda (PSL) tenta a todo custo reverter a cassação do seu mandato pelo cometimento do crime de Caixa 2 e abuso do poder econômico. Para isso, tenta desqualificar as provas constantes nos autos, afirmando que apesar de ter gasto mais de R$ 1,2 milhão na pré-campanha sem a devida prestação de contas e num período vedado pela Justiça Eleitoral, ela tenta se safar alegando, malandramente, que outros candidatos que na época disputaram o mesmo cargo fizeram gastos semelhantes.
A jogada de Selma, que teve a sua cassação confirmada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) na semana passada, com farta apresentação de provas, como cheques e depoimentos, aparentemente tenta desqualificar a acusação e as provas dizendo que outros políticos que disputaram o mesmo cargo que Selma fizeram gastos semelhantes, mas ela não diz que os demais declararam os gastos em suas prestações de contas, o que muda a situação.
Mas, supondo que os demais candidatos tenham usado de expedientes semelhantes ao da senadora, isso não a inocenta, ao contrário, acaba por envolver outros nomes na prática criminosa. Para a defesa da senadora cassada, ela teria feito gastos que ficariam na "média" dos gastos dos demais candidatos, o que livraria a mesma da cassação.
O raciocínio malandro da defesa de Selma é que ele declarou gastos na campanha eleitoral de R$ 1,7 milhão, que somados aos R$ 1,2 milhão gastos por fora, somaria R$ 2,9 milhões, valores que estariam próximos, ou na "média", dos gastos realizados pelos demais candidatos ao senado na eleição de 2018, já que o tucano Nilson Leitão gastou R$ 2,9 milhões, Adilton Sachetti gastou R$ 2,6 milhões, Carlos Fávaro gastou R$ 2,2 milhões, Jayme Campos gastou R$ 2,1 milhões e por aí vai. Ou seja: os valores estão dentro de uma média, só que os gastos de Selma foram "por fora", ou seja: aparentemente foi Caixa 2, enquanto os outros declararam a totalidade de seus gastos.
A cartada final sobre a cassação ou não do mandato de Selma Arruda será o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que espera-se, seja breve em seu julgamento. Vamos acompanhar...