CPI

Pagot confirma atuação de Wellington em favor da Delta, mas se recusa a dar detalhes

Depoimento do ex-diretor geral do DNIT foi considerado decepcionante e gerou críticas de muitos parlamentares.

por GazetaMT

29 de Agosto de 2012, 07h45

Pagot confirma atuação de Wellington em favor da Delta, mas se recusa a dar detalhes
Pagot confirma atuação de Wellington em favor da Delta, mas se recusa a dar detalhes

O ex-diretor geral do DNIT, Luiz Antonio Pagot, reafirmou ontem em depoimento à CPI do Caso Cachoeira, que o deputado federal Wellington Fagundes fez pressões para favorecer os interesses da empreiteira Delta na obra de duplicação da Serra de São Vicente, na BR 364. A empreiteira é apontada como o principal instrumento no esquema de corrupção montado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira para desviar recursos do Governo Federal.

A alusão ao parlamentar foi feita por Pagot em resposta a uma pergunta feita pelo senador Pedro Taques (PDT/MT), sobre declarações feitas pelo ex-diretor do DNIT em entrevista à revista época. Pagot disse que Wellington sempre procurava o DNIT para perguntar sobre obras executadas no Estado, em especial aquelas realizadas pela empreiteira Delta.

"O Wellington era muito zeloso com as obras do Estado e também por todas as obras da Delta. Repetidamente eu era procurado por ele para que desse posicionamento, especialmente em relação às obras na Serra de São Vicente. O que decidimos, e não foi favorável a eles, foi quebrar a parte de concreto aquém do previsto no projeto", afirmou.

O ex-diretor do DNIT também confirmou a interferência do ex-deputado Waldemar Costa Neto, também do PR, em favor da Delta.

Decepção

Luis Antonio Pagot evitou dar detalhes sobre a atuação dos parlamentares e outros lobistas que teriam atuado em favor do esquema montado por Carlos Cachoeira. O depoimento dele foi considerado decepcionante e foi criticado duramente por vários deputados e senadores.

O deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), por exemplo, chegou a classificar Pagot de "papai noel da Delta". Já o senador Pedro Simon (PMDB/RS), considerado uma das figuras mais importantes do Congresso Nacional, lamentou a situação e insinuou que Pagot tenha feito acordos com figuras do Governo e dos partidos envolvidos para ocultar o que sabe.

"O senhor está aqui hoje prestando serviço a empresas particulares, imagino que negocie com o governo. Se vossa excelência dissesse as coisas que imaginávamos, sairíamos daqui com isso resolvido", criticou Simon.

Os trabalhados da CPI do Caso Cachoeira prosseguem hoje, com o depoimento de Fernando Cavendish, presidente da empreiteira Delta no período sob investigação.