Pagot frustra parlamentares da 'CPI do Cachoeira' e é chamado de traidor
29 de Agosto de 2012, 06h27
"A montanha pariu um rato". Assim um deputado federal resumiu as oito horas de depoimentodo ex-presidente do DNIT, Luiz Antonio Pagot, à CPI que investiga o Caso Cachoeira. Depois de meses ameaçando contar 'tudo que sabia' sobre a ação de empreiteiras e lobistas do setor de transportes, Pagot fez um depoimento burocrático, com poucas revelações.
O ex-chefe do DNIT confirmou, por exemplo, que recebeu pressões de lideranças do PR como o deputado federal Wellington Fagundes e o presidente da legenda, Waldemar Costa Neto. Mas foi vago nas afirmações, evitando dar detalhes sobre a atuação e os interesses dos republicanos.
Ele também voltou atrás nas declarações indicando o envolvimento de personalidades do PSDB com a empresa Delta e o bicheiro Cachoeira. Disse que foi mal interpretado pela imprensa e salvou a pele de tucanos importantes como José Serra, candidato a prefeito de São Paulo.
As poucas críticas foram endereçadas à servidores do Governo Federal e, de certa forma, à própria presidente Dilma Roussef - que decidiu demitir Pagot durante a famosa 'faxina' promovida após denúncias veiculadas pela imprensa.
Decepcionados os parlamentares da oposição, entre eles o brilhante Pedro Simon (PMDB/RS) chegaram a classificar Pagot de 'traidor' e sugeriram que ele possa ter feito um acordo com o grupo de Cachoeira (empresários, lobistas e o próprio), para evitar o aprofundamento das investigações da CPI.
Foi um final melancólico para alguém que clamava a oportunidade de reparar 'injustiças'.