MAPA DA VIOLÊNCIA
Quatro cidades do MT estão entre as 150 com maiores taxas de homicídio por arma de fogo
29 de Agosto de 2016, 07h08
A informação consta no estudo 'Mapa da Violência 2016', coordenado pelo professor e sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, diretor de pesquisa do Instituto Sangari e coordenador da Área de Estudos sobre Violência da Faculdade Latino-americana de Ciências Sociais (FLACSO).
Segundo o levantamento, 4 cidades de Mato Grosso aparecem no ranking: Primavera do Leste, Várzea Grande (na região metropolitana de Cuiabá), Rondonópolis e Colniza.
A pesquisa usou dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) do Ministério da Saúde de 2014. O estudo avaliou dados de mortes causadas por acidente, homicídio, suicídio ou motivo indeterminado causadas com uso de arma de fogo.
Primavera do Leste aparece na posição 92ª, Várzea Grande é a 110ª, Rondonópolis em 125º lugar e Colniza no 144º lugar. Os dados levaram em consideração o processo de desconcentração econômica nas cidades, que gerou novos atrativos de investimento, força de trabalho, migrações e oferta de emprego.
Esses fatores, agregando com as deficiências e insuficiências nos Estados, contribuíram para a 'atração' da criminalidade e violência nesses municípios.
Outro fator, conforme o levantamento, é que algumas cidades são consideradas rotas de grandes organizações de contrabando de armas ou produtos, pirataria e tráfico de drogas. As cidades citadas também podem ter registrados de trabalho escravo, grilagem de terras, empreendimentos agrícolas e interesses políticos e financeiros.
"Nós não podemos deixar de associar a criminalidade pela ausência e fragilidade de políticas de prevenção ao crime. [As vítimas] são jovens que deveriam estar integradas no mercado de trabalho ou no ambiente escolar. Há um fracasso no sistema de inclusão desses jovens. Estando ausentes os direitos e cidadania, eles ficam em vulnerabilidade aos demais riscos como drogas, inimizades e brigas", criticou o sociólogo Naldson Ramos da Costa.
"Colniza é histórica a participação. É uma região de extensão territorial com disputa de terras e ausência do poder público na área rural. Existe o problema de grilagem de terras e pistolagem", comentou o sociólogo.
No entanto, as 4 cidades representam apenas 2,8% do total dos municípios mais violentos quanto aos assassinatos por arma de fogo.
Com informações FolhaMax