NA TELINHA
Candidatos a prefeito investem na produção dos programas eleitorais da TV
29 de Agosto de 2016, 08h36
Três dos quatro candidatos a prefeito de Rondonópolis já iniciaram a corrida eleitoral na tela da televisão. Começaram a circular na última semana os programas eleitorais dos candidatos e suas respectivas coligações. Com exceção do PSOLista Rubens Cantuário, entre os três grandes o páreo é duro, com leve vantagem em termos de produção ao tucano e atual vice-prefeito Rogério Salles (PSDB).
Do ponto de vista estético, o programa tucano é o melhor entre os três. Frisa o tradicional azul na camisa do PSDBista e dá o devido destaque à candidata a vice de Salles, certa "puxadora" de boa parcela dos votos que irá receber. Bem produzido, o informe político é bem editado nos cortes e tem ritmo. Mostra um Rogério Salles que caminha pelas ruas da Vila Operária de mãos dadas à vice e demais aliados, cumprimentando e sendo cumprimentado. Além do programa, os chamados "flashes" apresentam outras propostas ao longo da programação local da TV. Em um deles a protagonista é Marildes (Ferreira- PSD), mas segue a mesma linha de cores dos demais apresentados.
Sobre o texto do programa de Rogério, é este também excelente. Ponto negativo, porém, em certas colocações. Nem tanto por culpa de Salles, pois o papel do candidato é, de fato, se apresentar como o "novo". O tucano, em um dos programas, afirma querer fazer "uma política diferente desta que está ai". Esquecesse-se que desta que "está aí" (sic) ele próprio faz parte há exatos três anos e oito meses.
Em outro momento, cabe a vice consertar o deslize, ressaltando que estar na atual administração municipal contribuiu para adquirir experiência. Se deu certo ou não, aí é com o eleitor.
Em segundo lugar no ranking de produção cinematográfica/eleitoral vem o atual prefeito Percival Muniz (PPS). Esteticamente, seu programa perde em muito para o de Salles. Por isso, tenta suprir a demanda por meio dos depoimentos.
No vídeo, pessoas frisam a "importância de dar continuidade ao projeto político atual". "Manter Rondonópolis nos eixos" sugere um entrevistado. Imagens aéreas dos projetos que a campanha destaca e um ar de "programa da massa". Segue neste tom o apelo do atual prefeito. Neste, Percival e o vice aparecem pouco, com imagens retiradas do lançamento oficial de sua campanha.
Entre um intervalo e outro na programação local, um flash que compara a Rondonópolis de hoje com a de outrora, lembrando o eleitor que Percival consertou "o caos". Logo após, entre em cena o candidato, imóvel frente ao cromaqui que estampa a imagem do Casario. Discurso de linguajar simples focado no social.
Por último o atual deputado estadual e candidato a prefeito José Carlos do Pátio (SD) e seu programa em tom de desabafo. Cinematograficamente simples -quase tosco-, o candidato conduz a produção baseado na "injustiça" que lhe cassou o mandato em 2012.
Neste ritmo começa o programa. Algo do tipo "Em abril de 2012, o prefeito José Carlos do Pátio teve que sair de Prefeitura" e logo após a imagem do candidato sentado no que aparenta ser um gabinete, reforçando que fora inocentado e agora quer de volta aquilo que lhe fora tomado. Dele e do povo, como afirma o programa.
Sem imagens de rua, sem música chiclete, sem alarde. Basta Zé e a câmera, como numa entrevista jornalística. Sinais da "campanha do tostão", adiantada pelo candidato.
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Interessante, pegando ainda este gancho financeiro, como se traduzem nos programas eleitorais os recursos que cada candidato pensa em investir ou dispõe para tanto nesta jornada. Também de interesse, o real público-alvo que atingem ou tentam atingir.
Melhor do que tudo o que está mostrado na TV é sempre aquilo que se deixa transparecer. Sem imagem, sem áudio, pura e simples entrelinha...