VÍDEO

Silval diz que herdou propina de Blairo. Ministro rebate em nota aberta

Esquemas em precatórias de empresa correspondia a 40% de dinheiro desviado

por Robson Morais

29 de Agosto de 2017, 14h30

Silval diz que herdou propina de Blairo. Ministro rebate em nota aberta
Silval diz que herdou propina de Blairo. Ministro rebate em nota aberta

 

Vídeo publicado na internet mostra parte da delação premiada firmada pelo ex-governador de Mato Grosso, Silval Barbosa -PMDB, junto à Procuradoria Geral da República -PGR que compromete diretamente o atual ministro da Agricultura Blairo Maggi -PP. O conteúdo foi postado pelo canal particular do jornal paulista O Estado de São Paulo.

Barbosa afirma ali que herdou do atual ministro um acerto de propinas de 40% sobre o valor de precatórias de uma construtora quitadas pelo Estado. Na versão de Silval, o esquema já existia nos tempos de Blairo como governador e rendera valor aproximado em R$ 35 milhões somente no ano de 2010.  A intermediação partira do ex-secretário Eder Moraes, ocupante de cargo na Fazenda na gestão de Blairo e chefe da Casa Civil nos tempos do delator.

 'O Estado de Mato Grosso estava efetuando a quitação de precatórios da Encomind na gestão de Blairo Maggi', teria dito Moraes, na versão de Silval. O então secretário informou que a construtora pagava um retorno a título de propina no valor aproximado de 40% do valor recebido do Estado'.

Nota à imprensa

Em nota aberta á imprensa, Blairo Maggi tornou a rebater a delação de Silval. O atual ministro se disse "indignado" com o que chama de acordo unilateral, que "coloca em dúvida a credibilidade e a imagem de figuras públicas". Confira abaixo a íntegra:

"Deixo claro, desde já, que causa estranheza e indignação que acordos de colaboração unilaterais coloquem em dúvida a credibilidade e a imagem de figuras públicas que tenham exercido com retidão, cargos na administração pública. Mesmo assim, diante dos questionamentos, vimos a público prestar os seguintes esclarecimentos:

1. Nunca houve ação, minha ou por mim autorizada, para agir de forma ilícita dentro das ações de Governo ou para obstruir a justiça. Jamais vou aceitar qualquer ação para que haja "mudanças de versões" em depoimentos de investigados. Tenho total interesse na apuração da verdade. Qualquer afirmação contrária a isso é mentirosa, leviana e criminosa.

2. Também não houve pagamentos feitos ou autorizados por mim, ao então secretário Eder Moraes, para acobertar qualquer ato. Por não ter ocorrido isto, Silva Barbosa mentiu ao afirmar que fiz tais pagamentos em dinheiro ao Eder Moraes.

3. Repudio ainda a afirmação de que comandei ou organizei esquemas criminosos em Mato Grosso. Jamais utilizei de meios ilícitos na minha vida pública ou nas minhas empresas.

4. Sempre respeitei o papel constitucional das Instituições e como governador, pautei a relação harmônica entre os poderes sobre os pilares do respeito à coisa pública e à ética institucional.

5. Por fim, entendo ser lamentável os ataques à minha reputação, mas recebo com tranquilidade a notícia da abertura de inquérito, pois será o momento oportuno para apresentação de defesa e, assim, restabelecer a verdade, pois definitivamente acredito na Justiça.

Blairo Maggi"

Procurada pelo jornal O Estado de São Paulo, a empresa Ecomind ainda não se pronunciou sobre o caso.