administração
Após nove meses de gestão, Salles ainda vê máquina municipal 'amarrada'
Para ele, a administração está focada em organizar a máquina pública, que afirma estar 'amarrada'
29 de Setembro de 2013, 09h00
O vice-prefeito José Rogério Salles (PSDB), eleito em 2012 pela segunda vez para o cargo, é um político de perfil técnico, que tem a visão focada em resultados. É um administrador nato e, por isso mesmo foi chamado pelo prefeito Percival Muniz (PPS), quando ainda em campanha eleitoral em 2012, de segundo prefeito, como de fato acontece, dado o nível de envolvimento do vice com a administração.
Rogério responde pelo Gabinete de Gestão, que é composto pelas secretarias de Finanças, Receita, Planejamento, Administração e Governo, além da Procuradoria Geral do Município e dos Gabinetes de Comunicação Social e de Segurança Pública, que tem papel estratégico para o sucesso da administração.
Em um entrevista exclusiva que concedeu ao site GazetaMT, Salles afirmou que a administração municipal ainda não vive seu melhor momento, pois ao invés de inaugurar obras ou anunciar melhorias para a população, a administração está focada em organizar a máquina pública, que afirma estar 'amarrada'. "A administração não está do jeito que queríamos, está muito amarrada, pois pegamos a administração muito pior do que imaginávamos que estaria e gastamos energia demais para destravá-la. Eu acredito que o poder público tem que alavancar o desenvolvimento, mas do jeito que está, ajuda muito pouco", disse.
No entender do vice-prefeito, é necessária uma reforma administrativa, que passe também pela reestruturação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) dos servidores, como forma de não inviabilizar o funcionamento da prefeitura.
"Há um crescimento vegetativo da folha de pagamento dos servidores muito grande, que a prefeitura não tem controle. Os funcionários concursados vão recebendo e incorporando vantagens com o tempo, que se continuar existindo, pode vir à inviabilizar a máquina pública no futuro, que vai existir só para pagar esses salários, sem capacidade de investir, de gerar contrapartidas para convênios. Os processos administrativos também precisam ser mudados, informatizando e dando qualidade ao serviço e ao atendimento da população", defendeu Rogério Salles.
"O grande problema é falta de gestão, e isso já vem assim há tempos. Eu já fui prefeito da cidade anteriormente e, até naquela época, dava para ter a impressão de ter a folha de pagamento sob controle. Hoje não dá para ter essa sensação. Para se ter uma ideia, é só você imaginar uma instituição que tem seis mil colaboradores e que não tem uma política de recursos humanos. Não há um medidor para medir a produção, que gratifique e estimule o servidor a apresentar melhores resultados", completou.
Ele ainda defendeu a realização de concurso público, que segundo ele, deve ser lançado em breve, para cobrir a falta de funcionários efetivos em diversos segmentos do serviço público municipal. "O concurso é uma obrigação que temos com a Justiça e com a sociedade. Então, não há o que discutir. Eu sou a favor do concurso, por que ele permite contratar o funcionário mais qualificado, mas a administração pública tem que ter mecanismos para que esse funcionário produza de acordo", finalizou.