ENTREVISTA EXCLUSIVA
Presidente da Câmara, Rodrigo da Zaeli comenta confusão de domingo: “Não traímos o Zé do Pátio”
Vereador frisou processo democrático em caso “Beto do Amendoim”
03 de Janeiro de 2017, 10h33
Em sua primeira entrevista como presidente da Câmara de Rondonópolis, logo após o episódio da confusão generalizada ocorrida durante a cerimônia de posse do último domingo (1), o vereador tucano Rodrigo da Zaeli (PSDB) disparou: "Foi um processo democrático. Não houve traição contra ninguém, nem contra o prefeito Zé do Pátio".
À reportagem do GazetaMT, o vereador fez o balanço das atividades da Casa neste difícil ano eleitoral de 2016. Projetou os trabalhos e a união necessária dos 21 vereadores para a condução dos trabalhos para os próximos quatro anos e garantiu que não haverá "panela".
Confira abaixo:
GazetaMT (GMT): Tivemos um ano e tanto... Que avaliação faz deste 2016, vereador?
Rodrigo da Zaeli (RZ): Foi um ano muito bom. A Casa conseguiu dar andamento em muita coisa. Foi um ano de eleição e o vereadores focaram nas campanhas, em buscar apoios políticos, mas conseguimos avanços. Politicamente, vivíamos um momento nacional ruim, mas 2017 é um ano novo e estamos com esperança.
GMT: Sobre este momento nacional, o senhor chegou até a discutir com o então vereador Mauro Campos, do PT. Águas passadas?
RZ: Tive algumas discussões com o vereador Mauro, mas jamais no campo pessoal. Era uma questão meramente de posicionamento partidário. Naquele momento vivíamos a cassação de Dilma (Rousseff). Mas PT não é Dilma, é um partido com suas posições. Passou um bom período nas mãos de pessoas que não seguiam a cartilha. Vimos como foi. Sei que o Mauro Campos foi um bom vereador e principalmente é uma boa pessoa. Foi injustiçado por não ter conseguido a reeleição, apesar de bem votado. Acho que ele não pode ser julgado, de forma alguma. Ele defendeu a posição dele e eu a minha.
GMT: Ainda no campo nacional, o PT todo perdeu muito espaço...
RZ: O PSDB foi um contraponto e fez oposição neste momento difícil. Quando a mídia mostrou que as denúncias realmente tinham fundamento o eleitor migrou e nos reconquistamos essa confiança. São Paulo, por exemplo nunca havia tido resultado em primeiro turno. Para nós é satisfação, mas isso também aumenta em muito nossa responsabilidade.
GMT: Vamos falar do último domingo vereador. O que, de fato, aconteceu?
RZ: Foi uma reviravolta partidária. Temos agora que fazer uma avaliação, tanto nós, quanto o grupo que não venceu. Depois de domingo nos tornamos um grupo só e temos que trabalhar por uma Rondonópolis melhor. O mais importante é que todos os 21 vereadores façam um bom mandato, porque para isso a gente foi eleito. Não haverá panela, não seremos oposição. Quem veio apoiar o rodrigo não deixou de apoiar o (prefeito) Zé do Pátio.
GMT: Houve a união do grupo, como dizem, na calada da noite?
RZ: Nosso grupo se reuniu no sábado, um dia antes. Isso é verdade. Até então havia uma chapa com 16 vereadores e outra com 5. Essa de 16 tinha era a de partidos que conseguiram avanço na negociação com o prefeito, conseguiram mais diálogo. Os outros vereadores acabaram não tendo tanto prestigio. Isso gerou insatisfação partidária, não pessoal. Não temos nada contra nenhum vereador, somos amigos, mas todo partido precisa de respaldo. O que uniu o grupo vencedor foi uma certa sensação de exclusão...
...Não houve traição, até porque ninguém que votou em mim foi eleito com o Zé (do Pátio, prefeito). Houve um posicionamento partidário. Não se trata de revanchismo, nem foi manobra. Já conversei com o Zé e só seremos oposição se não tivermos outra opção.
GMT: Sobre o caso "Beto do Amendoim", estopim da confusão, como o senhor avalia?
RZ: Vamos lá. Nós agora temos que proteger o Beto e os demais do nosso grupo que estão sendo massacrados. O Beto usou a prerrogativa do voto, foi democrático. A condução do processo no outro grupo não foi satisfatória e por isso montamos outro grupo. O grupo que perdeu sabia que Beto estava conosco, tanto que aquela ata que mostraram no dia da posse não era a ata de eleição, por isso trocaram tão rapidamente. Foi um ato deselegante do outro grupo. Eles sabiam que Beto estava conosco e tinham que respeitar a posição do vereador.
GMT: Acredita em retaliação do grupo derrotado contra o vereador?
RZ: Espero que não. Torço para que a Casa o respeite. Esse primeiro momento é caloroso, mas já passou. Agora é vida nova, somos 21 e temos que trabalhar por nossa autonomia como um todo. Não há mais grupo, há 21 vereadores que precisam trabalhar juntos. Discussões e brigas acontecem, mas é o calor do momento. É o processo democrático.
GMT: Quem será o Rodrigo presidente?
RZ: Nossa ideia é trazer a Câmara para a população. Nossa câmara faz um excelente trabalho. Tivemos quatro anos sem nenhuma denúncia, nenhum vereador metido em escândalo. Nossa legislatura foi exemplar. As contas aprovadas sem problema. A população tem que enxergar a qualidade do nosso poder Legislativo, até para poder confiar nessa representatividade. Vereadores honraram o voto e os novos que iniciam em 2017 precisam dar sequência neste trabalho. Esse é o objetivo.