EM TRAMITAÇÃO

Projeto de lei amplia proibição de trote às escolas de ensino médio

A proposta considera abusivas ações como corte de cabelo e solicitação de dinheiro em semáforos

por GazetaMT

03 de Fevereiro de 2017, 07h41

Projeto de lei amplia proibição de trote às escolas de ensino médio
Projeto de lei amplia proibição de trote às escolas de ensino médio

odo início de ano letivo é comum ver a prática de trote dos estudantes veteranos com os novatos. Entre as atividades, estão práticas consideradas ofensivas e até perigosas para a integridade física e psicológica dos estudantes. No intuito de coibir a prática em escolas, além das universidades públicas e particulares, tramita na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) o Projeto de Lei (PL) 54/2016, de autoria do deputado estadual José Domingos Fraga (PSD).

A proposta de José Domingos Fraga, se sancionada pelo Executivo, revoga a Lei 9.325 de 2010, do também deputado Wagner Ramos (PSD), por ampliar a proibição às escolas, visto que a lei em vigor só proíbe trotes em unidades de ensino superior e universidades.

O PL 54/2016 proíbe o chamado "trote universitário e escolar", considerado abusivo quando da recepção de novos alunos, conhecidos como "calouros", tanto nas escolas, institutos, faculdades e universidades públicas ou privadas de Mato Grosso. De acordo com a matéria, são consideradas abusivas atitudes como a raspagem de cabelos dos calouros, a pintura dos cabelos, a solicitação de dinheiro em semáforos e/ou a obrigatoriedade dos calouros ingerirem bebidas alcoólicas.

Na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), a Resolução 18/2005, aprovada pelo Conselho Universitário, estabelece o que é considerado trote abusivo, as penalidades para quem infringir a Resolução e quais as atividades para receber os novos estudantes.

Este último item, de acordo com o pró-reitor em exercício de Assistência Estudantil (Prae), Pedro Ferreira do Nascimento, é o que mais contribui para redução da prática de trote no campus. "À medida que aumentamos as opções de atividades para receber os novos alunos, diminui a incidência de trote. Além disso, neste período de começo de ano letivo, fazemos campanhas educativas para estimular a boa recepção".

O PL 54/2016, para evitar o trote abusivo, determina a responsabilização tanto de alunos que realizam o trote quanto do servidor público ou funcionário da unidade escolar. Segundo o deputado, é inaceitável esse tipo de conduta até hoje.

"É comum vermos situações vexatórias e degradantes decorrentes dos trotes universitários, como uma espécie de iniciação pela qual passa o calouro no início da trajetória escolar ou universitária, incluindo situações que podem ser humilhantes, constrangedoras, violentas,  podendo chegar à morte", justifica Fraga.

Na UFMT,  quando identificada a prática de trote, os envolvidos são submetidos a processo disciplinar, e a penalidade pode variar de advertência até a expulsão do aluno. De acordo com Pedro Nascimento, a universidade disponibiliza espaço para denúncias no site e, quando algum registro é feito, a Prae age imediatamente. "Nossa dificuldade maior, entretanto, é coibir as práticas nas áreas externas dos câmpus, onde não podemos intervir".

Atualmente, o PL 54/2016 está no Núcleo Social da Assembleia Legislativa para apreciação. O projeto já passou pela Comissão de Segurança Pública e Comunitária, onde recebeu parecer favorável e teve aprovação dos membros.