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Cuiabá precisa de mais árvores!

por Eduardo Chiletto

03 de Abril de 2019, 08h33

Cuiabá precisa de mais árvores!
Cuiabá precisa de mais árvores!

Infelizmente, em seus 300 anos, que serão completados no dia 8 de abril, Cuiabá não pode mais ostentar o título de Cidade Verde devido à lamentável perda da sua cobertura vegetal. Do mais pobre ao mais rico, letrado ao iletrado, todos têm responsabilidade no problema e na solução.

Como arquiteto, urbanista e cidadão, fico impressionado quando vejo moradores cortando árvores em seus quintais ou calçadas, dizendo: 'elas sujam e rompem o concreto' ou 'elas atrapalham a fachada do imóvel'. Fico mais surpreso ainda ao observar que em uma cidade extremamente quente, a fiação elétrica/lógica/telefonia possui supremacia sobre a arborização.

É uma pena que os gestores municipais sempre estiveram descompromissados com a causa pública. Não dão exemplo, nem cobram exemplo. Mas é importante frisar que um local com apenas 30 metros de largura de arborização reduz o ruído de 5 a 8 decibéis, o equivalente a 50% no barulho ouvido por uma pessoa.

Além de bonitas e agradáveis, ruas arborizadas são comprovadamente benéficas e diminuem em até 5º C a temperatura que o asfalto libera. As árvores também reduzem a poluição sonora, porque servem como bloqueio natural às ondas de som.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a poluição sonora é a terceira principal causa de poluição do mundo. O ruído pode perturbar o trabalho, o descanso, o sono e a comunicação, bem como afetar a audição e causar reações psicológicas e fisiológicas no ser humano.

Estudos recentes realizados por pesquisadores doutores da Universidade de São Paulo (USP) comprovaram que a temperatura do asfalto sob insolação pode atingir 60ºC, enquanto o mesmo asfalto, sob a proteção da copa de uma árvore atinge cerca de 35ºC. É uma diferença alarmante!

No contraponto, estudos realizados pela UFMT, em seus programas de pós-graduação em Ciências Florestais e Ambientais; Geografia, Arquitetura e Urbanismo e Biologia comprovam que a arborização urbana é um dos fatores relacionado à melhor qualidade de vida da população.

Quando o tema é árvore, poesia e ciência se encontram, pois com o farfalhar dos seus galhos, os odores refrescantes, a florada e as frutas, o abrigo de pássaros e seus cantos, há indiscutivelmente melhoria da qualidade do ar e na qualidade de vida física, mental e espiritual humano.

Apesar da necessidade de tê-las por toda parte, Cuiabá está cada vez mais despida de árvores, algo que impacta diretamente no aumento da temperatura. Os primeiros estudos sobre as variações térmicas e de umidade foram realizados pela professora da UMFT, Gilda Tomasini Maitelli, em 1990. Naquela época, foram evidenciadas as primeiras ilhas de calor urbanas.

O fenômeno climático acontecia, notadamente, no período noturno em condições de estabilidade do ar e sem a ocorrência de chuvas, quando  o calor armazenado no tecido urbano da Capital mato-grossense era liberado para a atmosfera. Mesmo com a ocorrência de chuvas, a área comercial ficava mais aquecida do que o seu entorno, confirmando a influência do uso do solo nu e cru sem a cobertura de árvores, nas condições térmicas.

As variações das taxas de umidade relativa já eram, há quase 30 anos, inversamente proporcionais à temperatura. Um dos efeitos era que o ar ficava, em média, 10% mais seco nas áreas centrais em relação às arborizadas e/ou suburbanas.

Diante de todos esses números, temos que iniciar urgentemente um processo de arborização; e as instituições acadêmicas têm produção científica suficiente sobre características peculiares de cada espécie e sua utilização em ruas, parques, jardins e quintais. 

O que falta mesmo é vontade política e conscientização de cada um de nós. Então, em homenagem à nossa querida cidade, conclamo a todos: Vamos plantar e cuidar de uma árvore?

Eduardo Chiletto, arquiteto e urbanista, presidente da AAU-MT, [email protected]https://www.instagram.com/academiaarqurb/

   

Rose Domingues ReisJornalista - (65) 99955-3978Cuiabá (MT)/Brasil