Sem Estrutura

Conselho Tutelar da Vila Operária reclama da falta de segurança

Conselheiras foram coagidas por familiar inconformado com abrigamento de adolescente

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03 de Maio de 2016, 14h26

Conselho Tutelar da Vila Operária reclama da falta de segurança
Conselho Tutelar da Vila Operária reclama da falta de segurança

Não foi a primeira vez que as conselheiras tutelares da Vila Operária de Rondonópolis foram ameaçadas por familiares de vítimas de violência contra crianças e adolescentes. Já aconteceram episódios de agressões verbais e até mesmo situações que genitores mostraram posse de arma para ameaçar funcionários.

No dia (29) outra outro caso de insegurança amedrontou a equipe do Conselho. Na ocasião, duas conselheiras que após as 17h estavam na sede redigindo documento para noticiar o fato de um abrigamento de uma adolescente à justiça foram surpreendidas por um familiar que inconformado batia nas portas e gritava do lado de fora da sede com palavras ameaçadoras.

Sem qualquer proteção, ambas trancaram as portas e ficaram no recinto tentando finalizar os trabalhos. "Ficamos com medo, vulneráveis, pois este familiar já tinha vindo antes, tinha sido agressivo verbalmente. Nos sentimos totalmente desprotegidas em nosso trabalho", afirma a conselheira e coordenadora, Adriana Ferreira.Coordenadora, Adriana Ferreira conta episódios de medos que já passou no trabalho - Foto: Wagner Montanari/ GazetaMT

Para a coordenadora, a causa é muito maior, mas de certa forma não é motivador ver o poder público fazendo pouco caso do trabalho do Conselho. "É uma causa que temos que abraçar, são crianças e adolescentes indefesos, correndo riscos muitas vezes. Gostamos do que fazemos, nos sentimos parte da justiça, mas vemos que as autoridades não tem esse olhar conosco", desabafa.

Conforme a coordenadora, a relação do conselho com o município é razoável. "Já estivemos em conversa com o prefeito, somos ligados diretamente a secretaria de assistência social, que atualmente está sem secretário. Não nos falta só segurança, mas verba para pleno funcionamento, carro em devidas condições, pois os que temos atualmente já completaram mais de 7 anos de uso, entre outras dificuldades", explica Adriana.

O conselho teme pela vida dos menores em situação de risco na cidade, pois de dia cada um dos dois conselhos existentes na cidade possuem um carro, porém a noite, é apenas um carro para atender todas as ocorrências.

"Por muitas vezes não temos como atender algum chamado, pois estamos empenhados em outra ocorrência. Os carros dão problema com frequência, não estão em bom estado de conservação. Temos chamados na madrugada em locais distantes, na zona rural por exemplo, e dependendo das condições das estradas, nossos carros não aguentam", lamenta.

Carros, estrutura do prédio e insegurança são reclamadas por conselheiros - Foto: Wagner Montanari/ GazetaMT

A reclamação também se dá em relação ao efetivo, que segundo Adriana está em falta, pois atualmente na Vila Operária são as próprias conselheiras que realizam a limpeza. "Além de alguém na limpeza, ainda precisamos de alguém no administrativo. Temos que notificar, temos que fazer visita e ainda atender. Estamos sobrecarregados. Alguém precisa nos manter, nosso terreno por exemplo está há mais de dois meses sem limpar", finaliza a conselheira. 

 

 

 

Terreno dentro das limitações do prédio está há mais de 2 meses sem limpar - foto: Wagner Montanari/ GazetaMT