Indagações óbvias

por Por Onofre Ribeiro

03 de Junho de 2013, 09h03

Indagações óbvias
Indagações óbvias

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato GrossoNo último domingo escrevi neste espaço o artigo sobre o pós-copa do mundo e Cuiabá. Foi bom. Tive manifestações muito mais questionadoras do que as minhas, mas tive também questionamentos políticos criticando o meu duvidar sobre o que será de Cuiabá depois de 2014. Por isso volto ao assunto conforme prometido naquele artigo e também pra repor novas colocações.

            A verdade é que Cuiabá vem no abandono desde a década de 1990. Nada de planejamento novo e a realização dos velhos planos foram absorvidos ou pela ganância de alguns setores dos negócios imobiliários ou pelo simples descaso da prefeitura com relação ao futuro da cidade. Ao ponto de se extinguir o precioso Instituto de Planejamento e Desenvolvimento Urbano - IPDU, que tantos bons planos fez para esta cidade.

            Portanto, Cuiabá estava parada no tempo antes do anúncio do evento da Copa do Mundo de Futebol. Como disse aqui há alguns dias, atrasada 30 anos. Mas tudo daí por diante passou a ser colocado dentro de um mesmo e único balaio da copa. Ora, é preciso pouco exercício de futurologia pra descobrir quer com copa ou sem copa, Cuiabá tem um futuro de grande responsabilidade dentro de Mato Grosso.  Ainda que o Brasil esteja vivendo um péssimo momento da gestão pública federal e esteja também perdendo o seu papel na nova história mundial, a tendência é a de que Mato Grosso terá papel muito forte junto com a região Centro-Oeste dentro do Brasil e frente ao mundo. O fato de produzir alimentos fará uma diferença enorme.

            Claro que isso acontecerá no interior e não na capital. Sua vocação é a de produtora de serviços de saúde complexa, de educação, de serviços públicos, financeiros, administrativos, de logística e de referência estadual. Óbvio que Cuiabá nunca produzirá soja, algodão, pecuária de escala e, tampouco, será polo industrial.

            Voltamos à estória da Copa do Mundo.  O chamado legado, palavrinha danada de feia e mal explicada, não está muito claro em relação à capital. Ruas, avenidas e um estádio de futebol não bastam. A cidade não está se preparando em planejamento urbano, na questão habitacional, na disciplina de uso do solo, no dimensionamento da zona urbana, não está se preparando na formação de recursos humanos. Na verdade, sem o discurso da Copa nós estaríamos perdidos na noite escura.

            Basta ver os mapas da logística de Mato Grosso, num simples olhar para o mapa que a gente arrepia. Tudo passará por Cuiabá de uma forma ou de outra. Isso significa dizer que a cidade será o principal polo urbano do estado, até porque o seu mais importante morador chama-se governo do estado com todos os desdobramentos de serviços do serviço público estadual e federal.

            O resumo deste artigo é que existirá vida depois de 2014 em Cuiabá. E não parece que isso esteja preocupando os gestores públicos. Se for verdade, de novo estaremos correndo atrás dos prejuízos da imprevisão que tem marcado a vida de Cuiabá desde sempre.

Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso

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