COMO ASSIM, TEMER?
Sobre Brasília a verdade é uma só: já não se entende mais nada
03 de Junho de 2016, 10h17
Desde que assumiu interinamente a Presidência da República, o peemedebista Michel Temer tem dado o tom de um novo governo, oposto à maioria das bandeiras até então tomadas como frente pelo grupo da atual presidente afastada Dilma Rousseff (PT). Mas que tom e, principalmente, que governo é este, já marcado pela aprovação das chamadas "pautas-bomba"?
Sem alarde, a Câmara, com o conhecimento do presidente interino, aprovou a criação de 14.419 cargos federais. O número é quase quatro vezes maior que os 4 mil postos comissionados que Temer prometeu ceifar neste ano, logo quando assumiu. Dentre os cargos aprovados, a maior parcela é de técnicos administrativos em educação (são 4.732). Há, inclusive, 52 postos no Instituto Brasileiro de Museus e 516 analistas para o Comando do Exército. A autorização para as aprovações passou batida até por deputados. Ela estava no projeto de lei que concedeu aumento a servidores da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa).
Anteontem (1), a mesma Câmara aprovou o reajuste de 41% na folha dos servidores do Judiciário, além de aumento para mais 15 categorias. O governo não divulgou um número oficial, mas cálculos apontam que os projetos terão impacto mínimo entre R$ 56 bilhões e R$ 58 bilhões até 2019 nos cofres públicos, sem contar o chamado "efeito cascata".
Com base nestes mais recentes fatos, pergunta-se: e o corte de gastos? e o equilíbrio fiscal? as pedaladas? a inflação? e o suposto rombo de R$ 170bi deixado pelo governo Dilma? como pagar?
É o que Temer ainda não respondeu, ainda que possa vetar tudo e pôr fim na novela financeira. Caso não o faça, não se sabe como nem quem irá pagar as contas, as existentes e as novas aprovadas. Em seu novo plano de meta fiscal anunciado consta arrocho salarial e dúvidas. Anuncia-se um teto que não se sabe de quanto e determina-se não se sabe como um limite de gastos federais em 2016.
Cortes tem havido, mas apenas nas bandeiras "petistas". O governo Temer encerrou o que seria a próxima fase do Programa Minha Casa Minha Vida e promete ajustes para baixo e ou mesmo suspensão nos demais "garotos-propaganda" do anterior governo Bolsa Família, Mais Médicos, Prouni, Pronatec e PAC.
Corta daqui e reajusta para cima acolá. Não parece, neste momento, uma medida de equilíbrio fiscal muito sensata. No mais, a imprensa brasileira começa a encarar o fato como uma nova jogada política, que visa agradar a quem possa ferir o novo governo.
Ainda defendendo uma mudança positiva, desta tal "Ponte para o Futuro" em Brasília não se entende mais nada.