Operação Ararath

Empresário que denunciou esquema de lavagem de dinheiro deve depor

Júnior Mendonça será ouvido em Cuiabá como testemunha de acusação. Processo tem Éder Moraes, a mulher dele e mais dois como réus

por GazetaMT

03 de Julho de 2014, 16h48

Empresário que denunciou esquema de lavagem de dinheiro deve depor
Empresário que denunciou esquema de lavagem de dinheiro deve depor

Delator do esquema de lavagem de dinheiro supostamente envolvendo autoridades dos três poderes de Mato Grosso do qual fazia parte enquanto dono de um 'banco clandestino', o empresário Gércio Marcelino Mendonça Júnior deve prestar depoimento à Justiça Federal hoje (3) em um processo que tem como réus o ex-secretário de Fazenda do estado, Éder Moraes, a mulher dele Laura Tereza Costa Dias; o ex-secretário-adjunto do Tesouro, Vivaldo Lopes, e o superintendente do Bic Banco, Luis Carlos Cuzziol. A audiência está marcada para as 13h30 [horário de Mato Grosso].

Conforme consta do processo que tramita na 5ª Vara Federal em Mato Grosso, após ser colhido o depoimento de Júnior Mendonça, os réus serão ouvidos. Dos quatro réus nesse processo, dois foram presos durante a Operação Ararath, deflagrada em maio deste ano pela Polícia Federal. Um deles é  Éder Moraes, que permanece preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, após várias tentativas de deixar a prisão por meio de recursos.

Além dele, a PF prendeu temporariamente Luis Cuzziol. Ele teria autorizado vários empréstimos à organização criminosa, supostamente intermediados por Éder, sem exigir nenhuma garantia de pagamento. O superintendente foi solto após passar cinco dias no Centro de Custódia de Cuiabá.

As investigações do Ministério Público Federal (MPF) apontam que a maioria dos empréstimos foi feita em nome da Comercial Amazônia de Petróleo, de propriedade de Júnior Mendonça. Entretanto, o dinheiro não teria sido usado em favor da empresa, mas para beneficiar o grupo político, que teria como supostos líderes o senador Bairo Maggi (PR-MT) e o governador Silval Barbosa (PMDB). Maggi e Silval negam qualquer envolvimento com o esquema criminoso.

Luiz Cuzziol, Éder, Laura Tereza e Vivaldo são acusados de crimes de lavagem de dinheiro e ocultação de bens. A mulher de Éder teria sido supostamente beneficiada do esquema. Segundo as investigações, R$ 45 mil foram transferidos pela factoring de Júnior Mendonça para a conta de uma empresa de propriedade dela.

A empresa de propriedade de Vivaldo Lopes também está na lista das empresas que teriam sido beneficiadas. A Brisa Consultoria recebeu R$ 520 mil da Globo Fomento Mercantil e Amazônia Petróleo. No entanto, ele alegou não ter ficado com o dinheiro. Disse ter emprestado a conta bancária para uma transferência destinada ao Mixto Esporte Clube, time de futebol que tinha Éder Moraes como presidente.

Além de Éder e Cuzziol, também foi preso durante a operação o deputado estadual José Geraldo Riva (PSD), ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Mas, três dias depois ele conseguiu a liberdade. Ele foi denunciado também como suposto beneficiário do esquema. Segundo o delator, ele teria pego R$ 3 milhões emprestado ilegalmente da factoring operada por Júnior Mendonça. O parlamentar nega qualquer ilegalidade no empréstimo e, após ser alvo da operação, se candidatou a governador do estado.

Com informações do Portal G1.