FEDERAIS

Voto de deputados de MT deverá blindar Temer e “engavetar" denúncia, diz jornal

Ezequiel Fonseca –PP e Victório Galli –PSC estão na lista dos 44 parlamentares que articulam em favor do chefe

por Robson Morais

03 de Julho de 2017, 14h17

Voto de deputados de MT deverá blindar Temer e “engavetar" denúncia, diz jornal
Voto de deputados de MT deverá blindar Temer e “engavetar" denúncia, diz jornal

Reportagem publicada na edição desta segunda-feira do jornal carioca O Globo afirma que dois deputados federais de Mato Grosso estão dispostos a votar para "engavetar" a denúncia da Procuradoria Geral da República -PGR contra o presidente Michel Temer -PMDB. Ezequiel Fonseca -PP e Victório Galli -PSC estão na lista dos 44 parlamentares que articulam em favor do chefe.

O placar autoriza ou não o Supremo Tribunal Federal -STF acatar a denúncia de corrupção passiva contra Temer, que deverá em breve responder, ainda, por outros crimes. Entre eles, formação de quadrilha.

Membro da bancada evangélica em Brasília, Galli mostra não concordar com a PGR. Os deputados Adílton Sachetti -PSB, Fábio Garcia -PSB, Valtenir Pereira -PSB, Carlos Bezerra -PMDB e Nilson Leitão -PSDB ainda não se posicionaram oficialmente.  

Os dois primeiros já sinalizaram apoio a Temer, enquanto Pereira tem mostrado intenção em conduzir o PSB à oposição. A divergência dentro do partido é evidente e exposta, com direito a troca de ofensas mútuas. Pereira, atual presidente, assumiu o posto por imposição da cúpula nacional, logo após a destituição de Garcia e Sachetti.

Bezerra é do partido de Temer. No PSDB, Leitão ainda aguarda posicionamento oficial dos tucanos em nível nacional. A volta do senador Aécio Neves ao Senado fez o partido se segurar mais tempo na base aliada, da qual ameaçava sair.

Ságuas Moraes -PT disse que votará pela autorização da investigação no STF.

A denúncia

Michel Temer foi denunciado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, no dia 26 de junho passado. A acusação está baseada nas investigações iniciadas a partir do acordo de delação premiada da JBS. O áudio da conversa gravada pelo empresário Joesley Batista, um dos donos da empresa, com o presidente, em março, no Palácio do Jaburu, também é uma das provas usadas no processo.

Para o procurador, Temer usou o ex-deputado federal Rocha Loures para receber vantagens indevidas. "Entre os meses de março e abril de 2017, com vontade livre e consciente, o Presidente da República Michel Miguel Temer Lulia, valendo-se de sua condição de chefe do Poder Executivo e liderança política nacional, recebeu para si, em unidade de desígnios e por intermédio de Rodrigo Santos da Rocha Loures, vantagem indevida de R$ 500.000 ofertada por Joesley Batista, presidente da sociedade empresária J&F Investimentos S.A., cujo pagamento foi realizado pelo executivo da J&F Ricardo Saud", diz a denúncia apresentada por Janot.