DEU O ÓBVIO

Cria da casa, bancada do MT na Câmara salvou a pele de Temer

por GazetaMT

03 de Agosto de 2017, 08h15

Cria da casa, bancada do MT na Câmara salvou a pele de Temer
Cria da casa, bancada do MT na Câmara salvou a pele de Temer

Temer venceu. Terá a denúncia contra si por corrupção passiva arquivada, sem o devido encaminhamento ao Supremo Tribunal Federal. Passada a votação na Câmara que comprovou o poder de barganha e compra de votos do presidente, o recado que fica é: parabéns aos envolvidos.

Em especial aos deputados federais de Mato Grosso. Com exceção do petista Saguas Moraes, TODOS os demais votaram pelo arquivamento da denúncia. Comprovaram o óbvio, já que em declarações anteriores haviam confirmado posicionamento.

Nilson Leitão -PSDB, Adilton Sachetti -PSB, Fábio Garcia -PSB, Carlos Bezerra -PMDB, Ezequiel Fonseca -PP, Victório -PSC e Valtenir -PSB e Rogério Silva -PMDB foram os que votaram pelo arquivamento da denúncia contra Temer.

Reunião com empresário financiador de campanha na calada da noite, gravação em áudio de suposta compra de silêncio do deputado Eduardo Cunha, mala de propina com R$ 500 mil reais entregue ao homem de confiança e com fortes indícios de repasse ao próprio presidente. Para os deputados de Mato Grosso, assim como para os outros 256 que votaram pelo "sim", nada disso é prova.

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Na votação de ontem, 2,  os deputados não lembraram, nem de longe, os efusivos justiceiros que teceram longos comentários falso-moralistas na votação do impeachment de Dilma Rousseff -PT. Houve, ontem, ainda, deputado que defendesse a tese de que Temer era culpado, mas que o Brasil não poderia parar novamente no âmbito político. Hipócritas é o que são.

Foram comprados. Um mês antes da votação, Temer abriu a torneira do dinheiro público e liberou emendas parlamentares. Em trinta dias, despejou mais dinheiro para deputado que a petista Dilma nos tempos de possível impeachment. O cálculo foi feito pelo grupo Contas Abertas, publicado pela agência Lupa no site da Revista Piauí e na edição de ontem, 2, do jornal impresso Folha de São Paulo:

"Entre dezembro de 2015, quando o então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, aceitou o pedido de impeachment de Dilma Rousseff, e abril de 2016, quando a Casa efetivamente aprovou seu afastamento, o governo Dilma empenhou R$ 929 milhões em emendas para deputados federais. Esse valor é 60% menor do que o total distribuído pelo presidente Michel Temer nos últimos dois meses. Vale destacar que, em maio de 2016, mês em que Dilma saiu do governo e Temer assumiu como presidente interino, o empenho de emendas totalizou R$ 3,2 bilhões".

A propósito, o dinheiro é público. O povo pagou pelo investimento do presidente da República. O resultado: 263 deputados votaram pelo "sim" do arquivamento, 227 pelo "não", abstenções e ausências somaram 21. A denúncia contra Temer, agora, só poderá ser retomada quando o pemedebista deixar a presidência.

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De volta aos mato-grossenses parlamentares, a decisão em seguir com o presidente gerou revolta, em especial nas redes sociais. Ainda que com nenhuma surpresa, a notícia foi recebida como que com gosto amargo: 

Foto: Reprodução