DADOS DO IBGE

Agro alavanca PIB no segundo trimestre

PIB da Agropecuária atingiu o maior nível da série histórica, iniciada em 1996

por Redação

03 de Setembro de 2026, 16h49

Reprodução
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Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última terça-feira, 1º de setembro. O crescimento entre abril e junho foi puxado principalmente pela agropecuária, que avançou 2,8% em relação aos três primeiros meses do ano. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o setor cresceu 6,8%, favorecido pelo desempenho da pecuária e de culturas agrícolas que registraram aumento na produção estimada e ganhos de produtividade. Entre os segmentos que mais se destacaram estão soja e café.

No resultado acumulado em 12 meses, o setor agropecuário avançou 6,2% até o segundo trimestre. O IBGE informou que o Produto Interno Bruto da Agropecuária atingiu o maior nível da série histórica, iniciada em 1996. Em valores correntes, a produção rural gerou R$ 204,6 bilhões entre abril e junho de 2026. A participação do setor no PIB do Brasil (de R$ 3,4 trilhões) foi de 6,01%.

O desempenho ficou acima do esperado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). A entidade, inclusive, planeja rever a sua estimativa para o crescimento da agropecuária em 2026, que inicialmente era de 2,1%. Ainda assim, a confederação analisa os dados com cautela, devido à sazonalidade típica da atividade. O coordenador do Núcleo Econômico da CNA, Renato Conchon, ressalta que o PÌB calculado pelo IBGE é fortemente influenciado pelo volume produzido. Portanto, o desempenho positivo do setor agropecuário não significa uma maior rentabilidade para o produtor rural.

A expectativa da CNA é de que o agro cresça em ritmo menor no terceiro trimestre do ano. Há também cautela com relação à próxima safra, além dos preços internacionais da soja e do milho, taxas de juros elevadas, endividamento e aumento dos pedidos de recuperação judicial no setor.

Futuro da parceria com a China também deve influenciar desempenho 

Marcos Troyjo lembrou que o comportamento do mercado chinês quanto às exportações brasileiras deverá impactar decisivamente o desempenho futuro do setor. Foto: Arquivo SNA

A dinâmica de mercado com os chineses, principais parceiros comerciais do Brasil, também deve influenciar o futuro desempenho do setor agropecuário. Essa é a avaliação de Marcos Troyjo, economista, diplomata e ex-presidente do Banco dos Brics, além de integrar a Academia Nacional de Agricultura da SNA.

Em evento da indústria de alimentos na cidade de Barretos (SP), realizado na semana passada durante a tradicional Festa do Peão, ele disse a jornalistas que apesar da perspectiva de redução chinesa das commodities ao longo dos próximos anos, com a busca do país asiático por elevar a produção doméstica, os chineses devem continuar aumentando as compras de produtos do Brasil.

Em minha avaliação, a China deve importar menos alimentos da Europa, dos Estados Unidos, da Austrália, da Nova Zelândia, mas, curiosamente, vai comprar mais alimentos do Brasil. Apesar de buscarem serem independentes, os chineses terão de escolher com quem serão interdependentes, e minha aposta é que escolherão ser mais interdependentes com o Brasil”, afirmou Troyjo.

Presente ao encontro, Marcos Jank, professor do Insper Global e também membro da Academia Nacional de Agricultura da SNA, destacou a força da pecuária brasileira. Ele disse que a China não conseguirá se tornar autossuficiente na produção de carne bovina e grãos, por falta de área apropriada para as atividades.