SENADO

Fortuna de R$703mi e delação na Odebrecht: o legado de Eunício Oliveira (PMDB)

Candidato à presidência do Senado é o favorito do Planalto. Medeiros faz oposição

por Robson Morais

30 de Janeiro de 2017, 07h29

Fortuna de R$703mi e delação na Odebrecht: o legado de Eunício Oliveira (PMDB)
Fortuna de R$703mi e delação na Odebrecht: o legado de Eunício Oliveira (PMDB)

Querido pelo Planalto, candidato favorito e de maior bancada à presidência do Senado, o peemedebista Eunício de Oliveira (PMDB-CE) segue como o sucessor natural do atual presidente Renan Calheiros (PMDB-AL). Segundo senador mais rico no exercício do cargo, declarou em 2014 um patrimônio aproximado em R$99mi.

Parte da fortuna, diz, foi ampliada por meio de negócios com o próprio Governo Federal, época de suas funções públicas. As duas principais empresas do peemedebista, atuantes nos setores de limpeza e vigilância, têm contratos de R$ 703 milhões com bancos controlados pela União, como o Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.

Esta última, inclusive, abriga outros nomes do PMDB. De volta a Eunício, a seus valores somam-se, ainda, pactos vinculados a órgãos como o Ministério da Saúde e Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit).

Entre 2010 e 2014, o patrimônio declarado por Eunício quase triplicou. Em 2010, quando concorreu ao Senado, ele reportou à Justiça eleitoral ter bens de R$ 36,7 milhões, valor que saltou para os R$ 99 milhões informados quatro anos depois, época da campanha derrotada ao Governo do Ceará.

Listão da Odebrecht

Em tempos de cúpula peemedebista apontada nas delações de executivos e ex-executivos da Odebrecht, Eunício também figura entre os apontados. Segundo depoimento do ex-diretor da empreiteira Claudio Melo Filho, duas parcelas de R41mi foram pagas ao senador entre outubro de 2013 e janeiro de 2014. O valor seria contrapartida à aprovação da medida provisória 613, que tratava de incentivos tributários.

Em outra delação, fechada pelo ex-diretor da Hypermarcas Nelson Mello à Procuradoria Geral da República, o relato é o de que Eunício de Oliveira recebera, por meio de contratos fictícios, R$ 5 milhões em caixa 2 para a campanha do peemedebista ao Governo do Ceará, em 2014. Relatou também que a ajuda financeira foi solicitada por um sobrinho do congressista, de nome Ricardo.

"Delatores inventam"

Eunício nega que tenha recebido os valores. Vai além, diz que "no desespero, delatores inventam". No listão de apelidos da Odebrecht, o senador seria o "Índio".

O senador peemedebista minimizou a acusação do ex-executivo da Odebrecht Claudio Melo Filho. "A MP 613. Não fui presidente da MP, não fui líder, vice-presidente, relator, não fiz uma emenda supressiva ou aditiva... Raciocine um pouquinho: você não me conhece, nunca me viu, como eu te estuprei?", questiona.     

Senado

Na corrida ao Senado, Euinício tem aval até mesmo do presidente da República Michel Temer (PMDB). Única pedra no sapato está no mato-grossense José Medeiros (PSDB), que iniciou campanha entregando carta de proposta à parte indecisa da Casa. Recebeu, na última semana, apoio do senador evangélicos Magno Malta (PR-ES).

"Penso que José Medeiros é um senador jovem que cresceu e amadureceu muito durante o processo de impeachment de Dilma Rousseff.  Está em sintonia com a vontade das ruas e não foge do debate. Essa ousadia chama minha atenção. Por isso, conquistou meu voto", declarou Magno Malta.

Oitenta senadores receberam de Medeiros a carta que o anuncia candidato. O documento de 5 páginas apresenta análise da atual conjuntura, defende o fortalecimento das instituições e o debate de ideias com a sociedade. "Candidato-me à Presidência da Casa por entender que, na política, a unidade não se coreografa nos bastidores, mas se apresenta, pública e abertamente, como produto do debate de idéias", registrou.

Na carta, também garante que não fará uso da "pobreza do discurso meramente acusatório", o que considera postura "reducionista" e não adequada aos "representantes do Povo".

Entre as propostas apresentadas estão redução das despesas do Senado, reforma do Regimento Interno e fim do chamado casuísmo nas pautas de votação e democratização das relatorias garantindo a definição por sorteio.