TRANSPORTE COLETIVO
Reivindicações da empresa e trabalhadores são pautas na Câmara
Para presidente do Sindicato, iminência de suspensão dos serviços é falha do Poder municipal
30 de Janeiro de 2019, 15h37
Os vereadores de Rondonópolis entraram em consenso na sessão Ordinária desta quarta-feira, 30, e abriram espaço às reivindicações dos profissionais do transporte coletivo do município. Brigando por melhorias, a categoria cogitou nesta semana paralisar os serviços diante da possibilidade da empresa Cidade de Pedra, prestadora, retirar seus veículos de circulação.
Por dez minutos, foi autorizada a fala ao presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário de Rondonópolis e Região (STTRR), Luiz Gonçalves da Costa. Segundo ele, a maior preocupação é com os 150 trabalhadores que correm o risco de perder seus postos de trabalho, além dos prejuízos à população que utiliza o serviço. "Diretores da Cidade de Pedra não foram recebidos pelo prefeito (José Carlos do Pátio -SD) e já indignados com esta situação nós trabalhadores viemos para cá", iniciou o discurso.
No início da semana, a empresa protocolou um documento estipulando um prazo de 90 dias para que a situação seja resolvida junto ao Poder Executivo. Há quatro anos, a Cidade Pedra atua sem contrato com o município. Três processos licitatórios abertos, dois durante a gestão do ex-prefeito Percival Muniz -PDT, deram como fracassados.
Para o presidente, a falha é de responsabilidade do Poder municipal. "Os editais que foram abertos, na verdade, não encontram empresa nenhuma disposta a atender porque são incompatíveis com o que a cidade comporta. O prefeito tem que fazer um edital e uma licitação com base em estudo técnico de acordo com a atual realidade. O último estudo de base é de 2014", diz.
Ainda segundo Costa, com a frota "defasada" e sem avanço no contrato, não foi pedido o reajuste da tarifa (leia aqui), mas a situação preocupa. "Os trabalhadores estão adoecendo, os usuários sendo prejudicados. Com estudo técnico certo e que atenda as duas partes, as empresas ou até mesmo a própria Cidade de Pedra tem força para renovar a frota e prestar o serviço", avalia. "O prefeito precisa abrir as portas para uma reunião e com bom senso procurar atender às reivindicações da empresa".
Nos números, cerca de 12 mil pessoas/dia utilizam o transporte coletivo em Rondonópolis, segundo o presidente. Boa parte destes beneficiários de isenção. Financeiramente, mesmo com incentivos, a prestação do serviço não compensa, alega a empresa. O documento protocolado solicita do poder público subsídio financeiro de R$ 350 mil ao mês, além da isenção de 5% de ISS sobre a arrecadação bruta.
Os vereadores prometeram um posicionamento junto ao Executivo já na próxima semana.
Vereador contesta
Logo após a fala do presidente, o vereador Orestes Miráglia rebateu alguns dos pontos. Classificou como "muito pouco" o real ganho do município em manter o transporte a cargo da Cidade de Pedra. "Alguém aqui já viu um ponto de ônibus sequer construído ou instalado pela empresa? Eu nunca vi", disse. "Se os ônibus fossem de qualidade, o que nós veríamos era todo mundo utilizando, até gente engravatada. Mas é claro que isso não acontece. Sem transporte de qualidade, a solução de muito trabalhador foi recorrer a carros e motos. Hoje são 47 mil motos neste trânsito caótico, do qual a Secretaria responsável não dá conta", completou.
O vereador lembrou, ainda, que uma das reivindicações do poder público não atendidas pela empresa era a aquisição de veículos com ar condicionado, além de ampliação das linhas e horários.