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Ocupação de estudantes não atrapalhará realização do Enem, diz AME

por GazetaMT

30 de Outubro de 2016, 07h00

Ocupação de estudantes não atrapalhará realização do Enem, diz AME
Ocupação de estudantes não atrapalhará realização do Enem, diz AME

Em Mato Grosso, até o momento apenas alunos do Instituto Federal (IFMT) de Rondonópolis aderiram a mobilização nacional dos estudantes contra a PEC 241, que estabelece um teto para os gastos públicos pelos próximos 20 anos, e o projeto Escola Sem Partido, também conhecido como Lei da Mordaça.

Com as ocupações de escolas em 19 estados do país, a preocupação é com a realização das provas do Enem, marcadas para os dias 5 e 6 de novembro. Em Mato Grosso, irão prestar o exame em torno de 163 mil estudantes.

O coordenador do Grêmio Estudantil Geraldo Vandré do IFMT de Rondonópolis, Gabriel Oliveira da Costa, informou que ainda não conseguiram falar com o responsável pela aplicação do Enem na região. E diz que a intenção é desocupar a unidade um dia antes das provas e retomar a mobilização no dia seguinte.

Segundo o presidente da Associação Mato-Grossense de Estudantes (AME), Juarez França, as escolas estaduais foram poupadas porque já ficaram em greve no primeiro semestre deste ano.

França explica que a prioridade no Estado é a paralisação dos institutos federais. Na segunda-feira (31), o IFMT de Várzea Grande deve engrossar paralisação e iniciar debates sobre a PEC e a Lei da Mordaça.

 

 

Ocupações no país

De acordo com o último balanço divulgado pelo MEC, 182 locais de provas do Enem estão ocupados. O número aumentou desde que o ministro da Educação, Mendonça Filho, estipulou o dia 31 como prazo para a liberação dos locais. O MEC ameaça cancelar o exame nessas unidades.

A Advocacia-Geral da União (AGU) defende que, em caso de cancelamento, seja cobrado dos participantes das ocupações o custo da aplicação das provas para os alunos prejudicados. O valor é R$ 90 por prova.

Mas para que isso ocorra é necessário o nome dos ocupantes. O MEC já enviou aos institutos federais comunicado pedindo a identificação do estudantes.

Os institutos dizem que há obstáculos operacionais para que isso seja feito e que pedido semelhante nunca foi feito antes.

 

Saiba mais sobre a PEC 241

A PEC 241 estabelece que as despesas da União (Executivo, Legislativo e Judiciário) só poderão crescer conforme a inflação do ano anterior.

Pela proposta, a regra valerá pelos próximos 20 anos, mas, a partir do décimo ano, o presidente da República poderá propor uma nova base de cálculo ao Congresso.

O texto base foi aprovado em segundo turno, na noite de terça-feira (25), pela Câmara dos Deputados, em Brasília.

Em caso de descumprimento, a PEC estabelece uma série de vedações, como a proibição de realizar concursos públicos ou conceder aumento para qualquer membro ou servidor do órgão.

Inicialmente, a proposta estabelecia que os investimentos em saúde e em educação deveriam seguir as mesmas regras.

Diante da repercussão negativa e da pressão de parlamentares aliados, o Palácio do Planalto decidiu que essas duas áreas deverão obedecer ao limite somente em 2018.