Recuo

Produtividade da soja deve recuar em MT ainda mais em 2016

Contrapondo o efeito positivo da alta do dólar sobre a receita, este pesou sobre o custo produtivo da safra 2015/16

por GazetaMT

30 de Dezembro de 2015, 14h52

Produtividade da soja deve recuar em MT ainda mais em 2016
Produtividade da soja deve recuar em MT ainda mais em 2016

Depois de seis safras recordes consecutivas, Mato Grosso deve inverter essa tendência a partir de 2016, projetam os analistas do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). Incertezas com relação ao crédito, clima, aumento no custo de produção, adversidade econômica e outros fatores tornam o ano, que nem começou, um período de grandes indefinições à cultura e a todo o agronegócio. Os produtores e todo o setor deverão ter vários desafios e por isso novas estratégias são cada vez mais necessárias, bem como a cautela, já que lidar com o alto custo de produção e a escassez de recursos, ao mesmo tempo, serão os maiores desafios do segmento a partir de 1º de janeiro. Não há dúvidas de que será um dos anos mais difíceis em relação ao equilíbrio entre receita e despesa das últimas dez safras.

Segundo o Diário de Cuiabá, a área atual que foi mais um recorde sobre recorde, de 9,2 milhões de hectares, deve ter o menor crescimento em oito anos, de 2,1%, refletindo os altos custos produtivos e a dificuldade de acesso ao crédito rural. Somado a isso, a queda da produtividade impactará na produção, que deve recuar para 28,03 milhões de toneladas na safra 2015/16.

Enquanto a sojicultura estadual perde o ritmo, a produção mundial da oleaginosa tem perspectiva de atingir recordes nesta safra. Com a demanda mundial possivelmente crescendo em ritmo menor que a oferta, as baixas cotações externas de 2016 já refletem a expectativa de estoques mundiais altíssimos. O efeito sobre o mercado interno, no entanto, deverá ser amortecido pelo dólar elevado, caso ele se mantenha nessa tendência.

Contrapondo o efeito positivo da alta do dólar sobre a receita, este pesou sobre o custo produtivo da safra 2015/16 e deve ter efeito ainda maior na safra 2016/17, com o custo total atingindo mais uma vez valor recorde, de R$ 3.347,33 por hectare plantado.

Retrospectiva - Mato Grosso obteve novos recordes em 2015, alguns bons, outros nem tanto. O Estado registrou mais um ano de safra recorde, com área de 9,02 milhões de hectares, possibilitando a produção de 28,08 milhões de toneladas. A maior demanda por insumos, somada à elevação do dólar, contribuiu para custos produtivos também inéditos na safra. O custo de produção total, de R$ 2.468,39/ha, apresentou aumento da participação dos insumos sobre o custo total, pesando sobre o bolso do produtor. Diferentemente de 2014, a cotação interna deu um salto no segundo semestre de 2015, saindo de R$ 52,8/sc no acumulado do primeiro semestre e indo para R$ 62,9/sc no acumulado do segundo semestre, graças à elevação do dólar. O impacto desta alta sobre o bolso do produtor não foi sentido completamente, já que 86% da safra 2014/15 estavam comercializados antes do aumento dos preços em julho. O custo produtivo elevando mais que a receita afetou a margem do produtor, e por isso se contabilizou um lucro operacional ao menor nível das últimas safras.