Jennifer Sotério Xavier

A importância de estar preparado financeiramente em um momento de crise

por Jennifer Sotério Xavier

30 de Março de 2020, 13h11

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Divulgação

A pandemia do coronavírus pegou o mundo inteiro de surpresa. Por um lado, vê-se a necessidade de realizar o isolamento social para preservar a saúde da população, visto que o sistema de saúde pode entrar em um colapso na maioria dos países no mundo. Por outro lado, com a interrupção das atividades das pequenas, médias e grandes empresas, a economia mundial pode sofrer consequências gravíssimas, como fechamento de portas e desemprego em massa.

A situação do Brasil não é nem um pouco melhor. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) cerca de 41% da população brasileira vive na informalidade, ou seja, sem proteção social pois não fazem contribuição para a Previdência. Portanto, em momentos como esse, de crise sistêmica, esses trabalhadores ficam sem renda e muitas vezes impedidos de receber qualquer auxílio. Além disso, os maiores empregadores do país são as pequenas empresas que, fechando suas portas na quarentena, podem não conseguir manter seus empregados e até mesmo virem a fechar suas portas.

 Entretanto, diante das dificuldades que se enfrentam no país, como consequência do isolamento social para impedir a disseminação do vírus, podem-se encontrar aprendizados. A maioria dos brasileiros se preocupam muito em consumir o que geram de receita (muitas vezes gastam mais do que recebem, contraindo dívidas), priorizando o presente e não se importando com o futuro. Isso é consequência da falta de educação financeira que temos e da cultura de crédito que criamos. Encontrar um brasileiro que tem uma cultura de investimento é muito difícil, por mais que se observa um crescimento neste número. Mas afinal, como mudar esse cenário?

Antes de prosseguir, uma pergunta importante: se você ficasse sem receber renda pelo próximo mês, conseguiria arcar com os seus custos fixos? E por três meses? Seis meses? Se a sua resposta foi NÃO para essas perguntas, o primeiro passo para mudar o seu cenário e começar a ter uma cultura de investimento é fazer uma reserva de emergência.

A reserva de emergência, como o próprio nome já indica, é um montante que deve ser reservado para eventualidades: problemas de saúde, acidentes, demissões, rendimentos menores que o previsto ou, em casos excepcionais, crises econômicas. O tamanho dessa reserva varia de pessoa para pessoa e do seu padrão de vida. Em média, o valor do montante deve cobrir pelo menos seis meses de despesas. Portanto, uma pessoa que tem despesas de R$ 5 mil reais por mês, significaria um total de R$ 30 mil reais de reserva de emergência. O principal requisito de uma aplicação para a reserva de emergência é ter liquidez, ou seja, precisa ser acessado rapidamente no momento da urgência.

 Para isso, temos o Tesouro Selic, CDB (Certificado de Depósito Bancário), Fundos de Renda Fixa, todos com liquidez diária. Outro ponto é se atentar à volatilidade da aplicação financeira, ou seja, as oscilações negativas e positivas que o ativo pode sofrer. Claramente, como o recurso será utilizado em situações que podem ocorrer a qualquer momento, o investidor precisa buscar aplicações com baixa volatilidade, para não correr risco de surpresas negativas. Podemos tirar um aprendizado de toda essa confusão que o mundo está vivendo, mudando nossa mentalidade, principalmente com relação aos nossos investimentos, para que, em momentos como esse possamos ficar em casa, despreocupados e colaborar com a sociedade.

Jennifer Sotério Xavier

Assessora de Investimentos EQI Investimentos – XP Investimentos

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