Sucessão

PSDB terá candidato a prefeito independente de quem sejam os adversários, garante Salles

Em entrevista ao GazetaMT Salles avaliou apoios do partido nas últimas eleições, mas disse que desta vez tucanos terão candidato próprio

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30 de Abril de 2012, 16h53

PSDB  terá candidato a prefeito independente de quem sejam os adversários, garante Salles
PSDB terá candidato a prefeito independente de quem sejam os adversários, garante Salles

Salles disse que não mudará seu estilo para vencer a disputa pela prefeitura de RondonópolisO Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) terá candidato em Rondonópolis, independente da manutenção ou não das pré-candidaturas anunciadas pelas demais legendas. A garantia é de Rogério Salles, que já foi governador e prefeito da cidade e é também o escolhido entre os tucanos para disputar a sucessão de José Carlos do Pátio. Em entrevista ao GazetaMT Rogério Salles disse estar animado com o desafio, mas antecipou que não mudará seu estilo para vencer as eleições.

"A gente vai ficando mais velho e também mais convicto do que quer. Sou pré-candidato a prefeito, mas para fazer uma gestão diferente. Se para vencer for preciso fazer negociatas, lotear os cargos da Prefeitura ou fazer acertos com empreiteiras, prefiro nem me eleger. Assumi o compromisso com o PSDB e vou até o fim, mas sem abrir mãos dos princípios que sempre nortearam minha vida pública", afirma Salles.

Os principais concorrentes de Salles vivem situações complicadas no momento. Alguns estão enredados em denúncias de irregularidades e outros - como o deputado estadual Percival Muniz (PPS) e o próprio prefeito José Carlos do Pátio (PMDB)- correm o risco de serem barrados pela 'Lei da Ficha Limpa'. O tucano concorda que essa situação o beneficia, mas acredita que os serviços já prestados são seu maior trunfo nesta eleição.

"Fui prefeito há mais de 16 anos por um curto período (1994/96) e até hoje as pessoas lembram da minha administração de forma positiva. Essa aprovação explica os 28 mil votos que tive em 2010 na disputa para deputado federal, numa campanha sem dinheiro e tendo como adversários importantes lideranças. Acredito que esta confiança dos rondonopolitanos também será fundamental agora", avalia.

Apoio
Rogério Salles chegou a ser cotado para disputar a prefeitura nas duas últimas eleições. Em 2004 abriu mão para apoiar Adilton Sachetti, que na época era filiado ao PPS e venceu o pleito. Em 2008 decidiu apoiar o peemedebista José Carlos do Pátio, que chegou a vitória tendo a esposa de Salles, Marília, como vice-prefeita.

O tucano disse que não se arrepende dos apoios, mas não esconde a insatisfação com o desempenho dos dois últimos prefeitos. "O problema é que, depois e eleitos, as pessoas conversam pouco. Nunca pedi cargos ou qualquer tipo de vantagem pessoal. Tentei sim contribuir estrategicamente com idéias, mas não deu", afirma.

Salles também evita críticas diretas ao atual prefeito, que, além da vice, mantém vários filiados do PSDB em cargos relevantes e de livre nomeação - incluindo a secretaria de Trânsito (Argemiro de Souza) e o procurador-geral do Município (Efraim Alves). Segundo ele, apesar da discordância em vários pontos da administração, a responsabilidade do partido com a atual gestão permanece.

"Não é porque o prefeito está numa fase ruim que ficarei de fora, dizendo que não tenho nada a ver com ele. O nosso apoio em 2008 foi definido de forma consciente e responsável. É verdade que há muitas coisas na Administração que não concordamos, o que inclusive levou o partido a suspender o apoio político no ano passado. Mas a nossa responsabilidade com esta gestão só terminará ao final do mandato", declarou.

Histórico
José Rogério Salles é natural de Francisco Beltrão (PR), chegou a Rondonópolis em 1976 e estreou na política como militante do extinto Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Ele foi secretário de Agricultura (1984/85) na primeira gestão de Carlos Bezerra como prefeito, de quem se tornaria vice-prefeito no início da década de 90. Salles assumiu a prefeitura de Rondonópolis em 1994 e deixou o cargo dois anos depois com ótima avaliação.

Em 1997 Rogério Salles ingressou no PSDB a convite de Dante de Oliveira, e três anos depois se tornaria vice-governador. Com a saída precoce de Dante, ele assumiu o governo em abril de 2002. Neste partido ele também disputou vagas no Senado (2006) e na Câmara Federal (2010), mas sem conseguir sucesso.