Enfim, o humanismo
30 de Maio de 2012, 17h11
Em 1989 a queda do Muro de Berlim trouxe para a humanidade dois saltos: o fim da iminência de uma terceira guerra mundial, e a transferência de todo o aparato eletrônico militar para o uso civil. Toda essa tecnologia que já existia desde a década de 50, mas em 1989 estava no auge. Ali apareceram os telefones celulares, a internet, e a eletrônica saiu das estratégias militares exclusivas e invadiu toda a nossa vida através dos computadores, etc.etc. Nada mais ficou igual ao que era antes.
Porém, as facilidades dos processos de produção a partir daí, contribuíram muito para mudar os sistemas sociais, econômicos, pressionou o consumo e os recursos naturais. A população mundial crescente e consumindo mais, acabou por estressar o planeta, a vida e até mesmo o capital.
Na Conferência das Nações Unidas para Meio Ambiente - Eco-92, realizada no Rio de Janeiro, nasceu o conceito de sustentabilidade, um pouco mal definido e menos ainda compreendido pela população mundial. Muita água passaria debaixo da ponte entre a Eco-92 e a Rio+20 que se realizará também no Rio de Janeiro no mês que vem. Mas os efeitos tecnológicos advindos do fim da Guerra Fria, simbolizada na queda do Muro de Berlim, pressionou demais o consumo humano. O planeta sentiu fortemente a pressão e tem respondido de maneira clara, com terremotos, tsunamis, vulcões, maremotos, mudanças no clima e até mesmo no comportamento das pessoas.
Todo esse mundo de pressões empurra a sociedade humana para que a sustentabilidade seja praticada urgentemente na forma do equilíbrio entre o desenvolvimento econômico, o desenvolvimento social, incluindo esforços para a redução da pobreza mundial, e os recursos naturais que compõem o meio ambiente. É uma equação que não deixa margem. É, ou é!
Na realidade, para a sociedade humana dos países desenvolvidos há mais tempo habituada a consumir sem medidas, com forte tendência de mais e mais pessoas de países emergentes também entrarem nessa ciranda, é preciso que a sustentabilidade se realize através de novos valores. Assim, a ética nas relações sociais, nas relações econômicas, nas relações com o meio ambiente do planeta implicam na construção de um modo de viver sob novos valores.
Construir novos valores implica em desconstruir velhos valores. Essa transição pode ser chamada de humanismo. Humanismo significa uma nova sociedade humana assentada sobre valores menos agressivos do desenvolvimento econômico sobre o social e o ambiental. É um novo processo civilizatório que começará. Na verdade, já começou e vem evoluindo muito depressa desde o começo deste século, ainda que os velhos valores pareçam predominar. É só numa questão de tempo para os novos valores vigorarem sobre os velhos valores.
Esse novo momento civilizatório se chama humanismo. Aliás, é um dos sonhos mais antigos da humanidade: um tempo de justiça social autêntica. Está lá no Sermão da Montanha, e está nas lições dos nossos pais durante a nossa infância. Sendo assim, viva o Humanismo!
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso
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