Ararath

Éder ganha a liberdade e promete entrevista para dar sua versão dos fatos; Maggi mantém o silêncio

O ex-secretário Éder Moraes deixou o presídio da Papuda na madrugada de hoje; Maggi já está em Cuiabá, mas mantém distância da imprensa

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30 de Maio de 2014, 10h22

Éder ganha a liberdade e promete entrevista para dar sua versão dos fatos; Maggi mantém o silêncio
Éder ganha a liberdade e promete entrevista para dar sua versão dos fatos; Maggi mantém o silêncio

Éder Moraes (PMDB) e Blairo Maggi (PR) estão no centro de escândalo investigado pela JustiçaA libertação do ex-secretário Éder Moraes (PMDB) e o retorno do senador Blairo Maggi (PR) a Mato Grosso devem render fatos novos acerca do envolvimento de políticos e autoridades nas irregularidades apuradas na 'Operação Ararath'. Éder Moraes deixou o presídio da Papuda, em Brasília, no início da madrugada de hoje (30) e já anunciou que pretende conceder uma entrevista coletiva à imprensa. Blairo Maggi, que estava na Europa, retornou a Mato Grosso no meio da semana e até o momento ainda não informou se falará com a imprensa sobre o assunto.

A revogação da prisão de Éder Moraes foi decidida ontem pelo ministro José Antonio Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), o mesmo que havia determinado a detenção. Ele acatou os argumentos da defesa, considerando que o ex-secretário não oferece riscos à investigação e preenche os requisitos para responder ao processo em liberdade.

Em declarações divulgadas por veículos de comunicação de Cuiabá, Éder Moraes anunciou que retomará ainda hoje a apresentação de programas televisivos na Capital e que pretende convocar a imprensa para dar sua versão dos fatos. Ele antecipou que pode revelar informações bombásticas acerca do envolvimento de autoridades públicas em irregularidades e que pretende manter seu projeto de disputar as eleições de 2014 pelo PMDB.

A libertação de Éder Moraes foi autorizada pelo ministro do STF com várias restrições. Ele foi obrigado a entregar seu passaporte à Polícia Federal, deverá ficar em casa no horário das 22h00 às 06h00 e está impedido de manter contato ou frequentar os mesmos ambientes onde estejam outros investigados pela Operação Ararath.

Éder Moraes foi secretário de Fazenda do Governo do Estado e também ocupou outros cargos importantes, como a chefia da Casa Civil e a Secretaria Extraordinária da Copa. Segundo a Polícia Federal e o Ministério Público Federal ele foi o principal operador de um esquema que movimentou mais de R$ 120 milhões de reais. O dinheiro teria sido desviado dos cofres públicos para pagar propinas a políticos e 'comprar' o apoio de magistrados, promotores e até vagas no Tribunal de Contas do Estado.

Blairo Maggi
Já o senador Blairo Maggi, que estava na Europa quando houve o cumprimento dos mandados de prisão e de busca e apreensão da Operação Ararath, retornou ao país no início da semana e desde quarta-feira estaria em Cuiabá. Em declarações à amigos e também à imprensa nacional, ele revelou tristeza diante dos fatos e anunciou que pretende encerrar a carreira política após cumprir seu mandato no Senado, que expira em 2018.

Blairo Maggi, que era governador de Mato Grosso quando ocorreram as irregularidades investigadas na Operação Ararath, nega ter praticado qualquer ato ilícito. Através de sua assessoria ele chegou a falar sobre o aval a um empréstimo feito por uma das empresas investigadas. Disse que a operação foi legal e visava auxiliar um amigo empresário.

O senador, que era cotado para disputar o Governo do Estado, já afastou a possibilidade de candidatura e tem dito inclusive que poderá manter-se neutro na disputa deste ano.

Vários veículos de comunicação de Mato Grosso já solicitaram entrevistas para ouvir os argumentos de Blairo Maggi sobre as acusações divulgadas nos últimos dias. Porém, até o momento, ele ainda não confirmou se falará à imprensa local sobre os fatos.