MANTUS

Juiz mantém prisão de Arcanjo e demais presos em operação contra o jogo do bicho

Ao todo, a operação pretendia cumprir 63 mandados entre prisões e busca e apreensão no estado.

por Cuiabá, MT - Daffiny Delgado

30 de Maio de 2019, 07h27

Juiz mantém prisão de Arcanjo e demais presos em operação contra o jogo do bicho
Juiz mantém prisão de Arcanjo e demais presos em operação contra o jogo do bicho

O juiz Jorge Luiz Tadeu Rodrigues, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, manteve a prisão de João Arcanjo Ribeiro e de outros 17 presos na manhã de quarta-feira (29), durante a Operação Mantus, que desarticulou duas organizações criminosas envolvidas com lavagem de dinheiro e com a contravenção penal denominada “Jogo do Bicho”.

A manutenção da prisão foi definida durante audiência de custódia realizada na tarde de ontem, no Fórum de Cuiabá. A operação deflagrada pela Delegacia Especializada de Fazenda e Crimes Contra a Administração Pública (Defaz) juntamente com a Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), pretendia cumprir 63 mandados entre prisões e busca e apreensão.

De acordo com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), a defesa de Arcanjo solicitou que o ex-bicheiro fosse encaminhado para o Centro de Custódia de Cuiabá (CCC), sob argumento de que ele já foi policial civil e por estar com a idade avançada.

De acordo com o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), o juiz manteve o processo em sigilo e desmembrou o caso em duas audiências de custódia. A primeira atendeu os presos ligados a empresa FMC Ello, onde alguns pediram para serem encaminhados para o Centro de Custódia de Cuiabá (CCC), em decorrência do curso superior.

O advogado de duas mulheres solicitaram a conversão da Prisão Preventiva em Prisão Domiciliar, por ambas terem filhos menores de 12 anos. O magistrado considerou os documentos e autorizou a alteração com restrições e monitoramento eletrônico.

Na segunda audiência foram os presos ligados a empresa Colibri, onde o magistrado decidiu por manter a prisão preventiva de todos os acusados. Na ocasião, a defesa de Arcanjo solicitou que o ex-bicheiro fosse encaminhado para o CCC, sob argumento de que ele já foi policial civil e por estar com a idade avançada.

Consta ainda que outro acusado também solicitou a ida para o CCC, sob o argumento de também ter sido policial. O magistrado irá analisar todos os pedidos em conformidade com o número de vagas ofertadas pelo Sistema Prisional. 

Inicialmente, Arcanjo e alguns dos presos foram levados para a Penitenciária Central de Cuiabá (PCE).

Uma terceira audiência de custódia foi marcada para a tarde desta quinta-feira (30), onde os demais presos na operação devem ser ouvidos, entre eles o genro de Arcanjo Giovanni Zem que foi preso no aeroporto de São Paulo.

A operação

63 mandados judiciais, sendo 33 de prisão preventiva e 30 de busca e apreensão domiciliar foram cumpridos na manhã de quarta-feira.

As ordens judiciais são cumpridas em Cuiabá, Várzea Grande e em mais 5 cidades do interior do Estado e expedidas pelo juiz da 7ª Vara Criminal da Comarca de Cuiabá, Jorge Luiz Tadeu.

Giovanni Zem Rodrigues foi preso pela Polícia Federal (PF) ao desembarcando no aeroporto de Guarulhos (SP). As investigações iniciaram em agosto de 2017, após a polícia receber denúncias sobre a contravenção penal denominada “Jogo do Bicho”.

Foram decretados os bloqueios de contas e investimentos em nome dos investigados, bem como houve o sequestro de ao menos três prédios vinculados aos crimes investigados.

Os suspeitos vão responder pelo crime de organização criminosa, lavagem de dinheiro, contravenção penal do jogo do bicho e extorsão mediante sequestro, cujas penas somadas ultrapassam 30 anos.

O nome Mantus: Na mitologia etrusca, Manto (em latim: Mantus) é o deus do mundo dos mortos no vale do rio Pó. Manto também é conhecido como o Deus do azar, onde chamava atenção de suas vítimas através de jogos, roubando assim suas almas.