LUTA CONTRA O CÂNCER
Centro de Prevenção e Diagnóstico de Rondonópolis ainda aguarda Consórcio
Dos 900 exames possíveis na unidade a cada mês, apenas 30 são realizados. Nenhum de Rondonópolis
30 de Junho de 2016, 07h00

Um espaço moderno localizado no centro de Rondonópolis e com potencial de realizar até 900 exames preventivos contra os mais diversos tipos de câncer a cada mês... Este lugar existe, é chamado de 'Centro de Prevenção e Diagnóstico de Câncer', mas, pela burocracia que impede o firmamento de um consórcio por meio da Prefeitura, do montante de exames estimado realiza apenas 30. Nenhum dos pacientes atendidos é de Rondonópolis.
Isso mesmo, o número de pacientes rondonopolitanos atendidos no Centro de Prevenção e Diagnóstico de Rondonópolis é zero! Um contrassenso se levada em conta a fila de espera que ultrapassa 6 mil pessoas somente neste município, como apontado por um levantamento recente.
Os 30 pacientes que passam pelo espaço vem do município vizinho de Itiquira, graças a um acordo -semelhante ao buscado por aqui- que viabiliza a parceria entre Poder Público e a unidade particular mantida pela Associação dos Pacientes Oncológicos de Rondonópolis, a Apor.
Particular que busca atender pela Rede Pública, o SUS. Desde que inaugurado o Centro, há quatro meses, esta tem sido a intenção dos médicos e enfermeiros. Na lista de metas estão, ainda, reduzir a fila de espera para a realização de exames e extinguir a mortalidade por cânceres como o de mama e de próstata, propiciar que o paciente possa ser diagnosticado ainda no estágio precoce da doença e disponibilizar exames, encaminhamentos e tratamentos dentro da própria cidade, ampliando o serviço a toda a região sul do Estado. Custeado única e exclusivamente pela inciativa privada, ficam no campo dos sonhos, porém, as pretensões dos profissionais que ali atuam.
O custeio pode chegar em 100 mil/mês, sanado até o presente momento por meio de campanhas e doações de empresários parceiros. Mesmo com a união, a verba é pouca e impossibilita o aumento no números de exames e pacientes atendidos pelo Centro.
Instalações
O que o recurso pode ele banca. As instalações do Centro de Prevenção e Diagnóstico de Rondonópolis são impecáveis. Contam com equipamentos de ponta e serviço de excelência. Um mamógrafo hoje em pleno funcionamento na unidade de Saúde se destaca por ser exemplar único, nas exatas especificações, a nível de Estado.
Na sala de laudos (foto acima) também há tecnologia -e custo-. O Centro de Prevenção e Diagnóstico de Câncer conta, ainda, com recepção, sala de exames, sala de espera e demais acomodações para pacientes e funcionários.
Entrevista
O GazetaMT visitou o Centro de Prevenção e Diagnóstico de Câncer de Rondonópolis e procurou o cancerologista Dr. José Spila Neto para entender melhor a situação vivida no espaço. O especialista fala da urgência e da necessidade no firmamento do consórcio. "Se levarmos em conta o cenário regional, é difícil termos um número exato, mas estamos falando em cerca de 10 mil pessoas hoje na fila de espera por um exame", conta. "Poderíamos até vender exames como se faz no sistema particular para custear, mas esse não é o objetivo. Nossa meta é fazer pelo SUS, pois o Centro não quer lucrar nada. Queremos é empatar", completa. 
Também frisado pelo doutor é a importância do diagnóstico precoce. "Se você pegar um tumor no estágio inicial a chance de tirar e ele não voltar nunca mais é altíssima. Quando existe a demora e chega para nós médicos um tumor já em estágio mais avançado a chance da metástase matar é muito grande. Nos chamados estágios 3 e 4 fica difícil", diz.
Hoje a maioria dos casos de câncer, com exceção dos de pele, são os de mama e próstata. "Se o Centro por acaso chegar a lucrar um pouco vamos investir em biopsia de próstata e mama", projeta Spila Neto.
Investimento que resulta em economia, como finaliza o doutor. "O paciente em tratamento custará muito mais, por conta dos remédios, exames e internações. Quando um órgão público diz não ter dinheiro eu realmente não consigo entender, pois Saúde é prioridade e existem pessoas morrendo. Reconheço que seja importante cortar gastos, mas não se pode fazer aquela chamada economia burra".
Consórcio
Procurado pela reportagem, o Secretário Municipal de Saúde de Rondonópolis, Israel Paniagro, explicou que hoje o único impasse para a viabilização do consórcio é a burocracia. A proposta apresentada passou pelo Conselho Municipal de Saúde, chegou à Prefeitura e ao departamento de Leis e Decretos.
"O próximo passo é a adesão", disse o servidor. A expectativa de firmamento é já na próxima semana. Por se tratar de uma Organização da sociedade civil de interesse público (OSCIP), dispensa o processo de licitação. Nem mesmo a mudança da rotina por conta do ano eleitoral atrapalhará o andamento da parceria, garante o secretário.