PRESSÃO
Valtenir continua enfrentando briga no PSB. Desta vez é com Bezerra
Deputado federal rebateu acusação de ter articulado para destituir diretórios municipais
30 de Junho de 2017, 07h00
Novo capítulo protagonizado pelo atual presidente do PSB em Mato Grosso, Valtenir Pereira. Desta vez, o indicado pela cúpula nacional do partido --goela abaixo de boa parte que compõe a sigla no Estado -confrontou diretamente o também socialista e deputado estadual Oscar Bezerra. Chamou-o de mentiroso o presidente.
Pereira rebateu declaração em tom de denúncia feita por Bezerra. O representante do partido na AL, em coro junto aos demais protestantes contrário a Valtenir, o acusou de articulação -"canetada", no termo usado- para destituir os 132 diretório municipais do PSB em Mato Grosso. Através de sua assessoria, Pereira recorreu ao sistema do Tribunal Regional Eleitoral para demonstrar que todos os diretórios municipais estão ativos e em pleno funcionamento.
Na página oficial do Tribunal Superior Eleitoral -TSE constam, ainda, todos os diretórios em questão. Por conta do rito, entretanto, a denúncia pode se confirmar. "A informação é mentirosa e tem o claro propósito de causar tumulto e confusão dentro do PSB de Mato Grosso" informou em nota oficial a atual direção do partido.
Na pressão
O discurso de Bezerra é mais um entre os tantos protestos públicos conta Pereira, guinado à presidência após destituição de todo o diretório estadual do PSB, à época presidido pelo deputado Fábio Garcia, punido por votar em favor da Reforma Trabalhista do governo Temer na Câmara dos Deputados.
Nesta semana, a reportagem do GazetaMT ouviu o posicionamento do deputado federal Adílton Sachetti, outro publicamente contrário a Pereira. O parlamentar classificou a ação da cúpula nacional do partido como "jogo mesquinho" e atribuiu ao rival a alcunha de "paraquedista". Valtenir veio, chegou à presidência, mas não conversou com o partido. É presidente mas não é nosso presidente", disse. "Ele (Valtenir) já pulou diversas vezes de partido, não queremos um paraquedista", completou.
No dia 26, uma reunião do antigo diretório confirmou permanência das antigas lideranças do PSB no partido e briga política pela retomada do comando do partido no Estado. "Por enquanto, não estamos pensando em debandada. Não é isso o que a gente quer. Vamos esgotar todas as nossas possibilidades", frisou Sachetti.
Por apoiar Garcia, Sachetti também acabou destituído."É um absurdo (a indicação de Pereira), este argumento não cabe. Até porque o próprio Valtenir votou em favor da Reforma Trabalhista. Se esta é a razão para a punição do Fábio (Garcia), não faz nem sentido", criticou Sachetti.
2018
Em Brasília, ex-partido da base aliada do governo Michel Temer, o PSB é ainda novato na oposição. Apoiador fiel do impeachment da então presidente Dilma Rousseff -PT, mudou de lado e de discurso. Tanto por isso, filiados e políticos Socialistas não tem entrado em consenso quanto aos posicionamentos partidários.
A crise de identidade do PSB não é exclusividade de Mato Grosso. Punições também não. Por todo o Brasil, novos diretórios estaduais deverão ser compostos dentro do PSB, com vistas em 2018. "Vamos continuar unidos", reforça Sachetti sobre o bloco dos destituídos no Estado, sinalizando apoio ao projeto de reeleição do atual governador Pedro Taques -PSDB.