JACIARA

Com embargo, banhistas estão proibidos nas águas da usina

Contaminação ocorreu após rompimento de uma das bacias de contenção da vinhaça no rio Tenente Amaral

por GazetaMT

30 de Julho de 2018, 08h05

Com embargo, banhistas estão proibidos nas águas da usina
Com embargo, banhistas estão proibidos nas águas da usina

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) expediu, no último sábado (28), autos de inspeção, notificação, infração e termo de embargo para a Usina Porto Seguro, responsável por causar a poluição do Córrego Verde e do rio Tenente Amaral no município de Jaciara. 

A contaminação dos recursos hídricos foi ocasionada pelo rompimento de uma das bacias de contenção da vinhaça, resíduo pastoso e malcheiroso que sobra após a destilação de cana-de-açúcar ou milho, para a obtenção do etanol (álcool etílico) ou açúcar. 

Por conta do ocorrido, a Sema alerta para que a população não utilize o rio até que as análises comprovem a qualidade e balneabilidade da água. 

Durante o trabalho de inspeção e diagnóstico desenvolvido pela equipe mutltidisciplinar da Sala de Situação criada para monitorar o caso, foi constatado irregularidades nas bacias de contenção e tratamento de efluentes, assoreamento do córrego, poluição de nascentes, destruição de vegetação nativa e contaminação de solo e recurso hídrico.

As multas iniciais pelos crimes ambientais e descumprimento do embargo anterior somam R$ 5,7 milhões.

Os técnicos também identificaram o risco iminente de um novo acidente. Diante do cenário e por medida de precaução, além da paralisação total das atividades industriais, a Sema notificou a usina para que esta faça a drenagem e limpeza das bacias dando tratamento adequado aos resíduos que forem removidos.

O auto também solicita projeto de contenção da vinhaça com anotação de responsabilidade técnica e estudo de passivo ambiental apresentando a extensão do dano para o solo, subsolo, aquífero e lençol freático.

Reincidência

No final de junho de 2018, a Sema havia realizado uma fiscalização na Usina Porto Seguro. O empreendimento foi embargado na época por captação de água superficial sem outorga e operação de área de fertirrigação em desacordo com as licenças ambientais.

As notificações expedidas também alertaram para um possível rompimento da bacia de contenção e solicitou melhorias na segurança das barragens.

Diagnóstico

Além da inspeção da indústria, a Sema também irá analisar a qualidade dos recursos hídricos superficiais. Foram coletadas amostras de água do rio Tenente Amaral na PCH Embaúba, PCH Cambará, cachoeira da Fumaça, proximidades da Água Mineral Jaciara, na própria indústria e acima do ponto de despejo. Três dias após o acidente, a equipe verificou que ainda há mortandade de peixes e mau cheiro na água. Diante do cenário, a Sema orienta para que a população evite utilizar o rio Tenente Amaral até que as análises garantam a qualidade e a balneabilidade do mesmo.

De acordo com o secretário de Estado de Meio Ambiente, André Baby, após as vistorias as equipes irão dimensionar a extensão do dano ambiental e buscar medidas para a mitigação. A convite da Sema, a promotora de Justiça Cível da Comarca de Jaciara, Cássia Vicente de Miranda Hondo, acompanhou as visitas das equipes no local do acidente, assegurando mais transparência às ações.

O trabalho de diagnóstico é realizado pela Sala de Situação criada para monitorar o acidente ocorrido na madrugada de 26 de julho. O grupo é formado pelo Gabinete de Secretário de Estado de Meio Ambiente; Secretaria Adjunta de Licenciamento e Recursos Hídricos;  Superintendência de Infraestrutura, Mineração, Indústria e Serviços; Superintendência de Recursos Hídricos; Coordenadoria de Fiscalização de Empreedimentos; Coordenadoria de Indústria; Diretoria de Unidade Desconcentrada de Rondonópolis; Coordenadoria de Monitoramento de Qualidade Ambiental; Batalhão de Emergências Ambientais do Corpo de Bombeiro Militar (BEA - CBMMT); e comissão P2R2.