Câmara corta telefone de vereadores, mas mantém cabide de empregos
30 de Agosto de 2012, 07h51
O vereador Mohamed Zaher (PSD) passou por um constrangimento inesperado na última semana ao ter o telefone bloqueado enquanto estava em viagem a Cuiabá. O parlamentar ficou sem comunicação telefônica por causa de uma decisão da Mesa Diretora suspendendo o direito dos vereadores de fazerem interurbanos pelos telefones funcionais - que são pagos pela Câmara.
Mohamed está tratando de um câncer e, por isso, precisa viajar freqüentemente. Ele questionou o fato da decisão ter sido tomado sem consulta e nem aviso prévio aos vereadores e lançou suspeitas de que a medida possa ter sido feita sob encomenda para prejudicá-lo.
O Buxixo não descarta a hipótese aventada pelo vereador. Mas a verdade é que a decisão de limitar o uso do telefone significa uma clara tentativa de restringir a atuação de todos parlamentares.
A Mesa Diretora teria explicado que a medida visa economizar gastos. Mas, se é assim, é importante que o presidente da Casa, o vereador Hélio Pichioni (PR) revele o tamanho do rombo que tornou necessário uma ação tão drástica. Afinal, onde a Câmara enfia os cerca de um milhão de reais que recebe todos os meses?
Porém, mesmo que consiga explicar as dificuldades financeiras, o presidente da Casa precisará comprovar também que não havia outra saída. O Buxixo ouviu dizer que a Câmara está repleta de funcionários sem funções. Há, por exemplo, o caso de um moço nomeado como chefe de setor e que passa os dias no corredor por falta de sala. Ele é parente de um secretário e, conforme as informações, foi contratado para atender compromissos partidários e eleitorais
Talvez se parar de fazer da Câmara um 'cabide de empregos', a Mesa Diretora consiga pagar os interurbanos dos vereadores eleitos para produzir leis e fiscalizar o uso do dinheiro público. Fica a sugestão.