As ruas estão vivas em silêncio
30 de Agosto de 2013, 07h13
Em junho as ruas brasileiras se movimentaram em sucessivos protestos contra uma série ampla de assuntos: educação, saúde, corrupção, copa do mundo, principalmente. Depois silenciaram aparentemente.Ontem conversei com um amigo que faz parte do sistema de discussões e de divulgação dos grupos jovens que organizaram e estão organizando nova onda de manifestações a começar por 7 de setembro próximo.
A leitura é preocupante. As manifestações não morreram. Muitos grupos radicais estão se organizando e se fortalecendo nesse aparente silêncio, através de redes sociais, de blogs e de sites, sem contar a enorme velocidade e volume de informações trocadas via "whatsApp", pelo telefone e torpedos. Muitas dissidências radicalizando-se. O objetivo final é o de confrontar o Estado, sonhando-se com um caos generalizado. Não existe um tema exclusivo. O geral caminha pro caos. No meio, a ideia é enfrentar tudo que represente o Estado ou relações próximas, sejam orelhões, bancos privados, agências de carros, sindicatos, partidos políticos, prédios públicos, etc.
Os grupos radicais são formados por estudantes e professores universitários das áreas de ciências sociais como os ""black blocs" ou os "mídia ninja", os mais visíveis. O confronto é o lema. Cada vez que o governo mostrar sinais de recuperação, os movimentos mais se radicalizarão, porque embora não tenham um foco claro, deseja-se estabelecer o caos, que é a falta de ordem institucional. O governo e o Congresso não tem se mostrado capazes de compreender o "tsunami" que se forma no país.
Segundo esse organizador de Cuiabá, aqui ainda não se formou uma massa volumosa, mas está articulada. Os objetivos gerais são difusos, porém, permanentes até um ponto de estrangulamento que, se requerer confronto violento com sangue, ele haverá. Por que, perguntará o leitor? A resposta é, porque os jovens manifestantes não creem em mudanças institucionais a partir do governo e do Congresso Nacional. Por isso a ideia de fustigá-los até a exaustão. Aí, perguntará de novo o leitor: O que se quer no final? Quer-se mudanças generalizadas que não virão senão pelo confronto. As massas ordeiras não estão nesta contabilidade radical.
Onofre Ribeiro é jornalista em Mato Grosso
[email protected] www.onofreribeiro.com.br