ABISMO

Se Mato Grosso possui três senadores, por que só Medeiros aparece?

por GazetaMT

30 de Agosto de 2016, 09h49

Se Mato Grosso possui três senadores, por que só Medeiros aparece?
Se Mato Grosso possui três senadores, por que só Medeiros aparece?

Entre os três senadores mato-grossenses em atividade na capital federal se alarga, cada vez mais, um sério abismo político-representativo. Não parece, nem de longe, que um dos principais Estados do Brasil conta ainda hoje com parlamentares de peso. Em evidência, apenas o Social Democrático José Medeiros demonstra seguir atuante.

Na comparação com os demais, Medeiros desequilibra. Dos republicanos Cidinho Santos e Wellington Fagundes -PR/MT-, nota-se um padrão de atuação ofuscada e incerta, especialmente quanto ao rondonopolitano. Nesta semana, mais um episódio confuso em seu currículo.

Refiro-me a última etapa do processo de impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff (PT) no Senado e o interrogatório comandado pelos senadores no Plenário da Casa. Fagundes, que já havia se ausentado em ocasião igualmente importante há duas semanas, novamente não pôde comparecer.

Na época, senadores votaram pela admissibilidade do julgamento no Senado. Fagundes alegou motivos particulares e faltou. Antes de continuarmos, cabe aqui um aparte:

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Quando noticiado por esta coluna o episódio da ausência, internautas criticaram Buxixo por, como disseram, não respeitar um momento de dor do senador Fagundes. Ocorre que, na referida ocasião, o parlamentar se ausentou devido ao falecimento de um jornalista também rondonopolitano, admirado e respeitado dentro e fora da imprensa, inclusive por esta coluna.

O que os amigos leitores não entenderam no texto publicado foi que em nenhum momento Buxixo destratou dos motivos da ausência do senador ou pôs em dúvida seu respeito e admiração pelo colega jornalista. Aos fatos, e tão somente: Fagundes não compareceu à votação.

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Explicados os dizeres, voltemos aos dias atuais. Novamente, o parlamentar se ausentou do Senado num dia histórico, desta vez por questão de saúde. Acabou internado o senador por conta de uma diverticulite, teve alta médica e deverá retornar nos próximos dias ao parlamento, após se tratar em casa.

Repete-se um roteiro em que a ausência de Fagundes se justifica, mas não evita o buraco político. Ex-senador de base aliada no governo Dilma, se manteve em cima do muro até o dia em que pulou de vez e votou pró impeachment. Sua presença no julgamento era mais uma vez esperada com furor pelos próprios senadores e precisou ser novamente adiada. À classe política resta agora uma dúvida: em qual lado joga Fagundes?

Sobre Cidinho Santos, senador empossado com a alavancada de Blairo Maggi (PP) rumo ao Ministério da Agricultura no governo interino de Michel Temer (PMDB), importante reconhecer a tentativa de emplacar destaque na ocasião do interrogatório de Dilma.

O republicano chegou a fazer uso dos cinco minutos destinados a pronunciamento e pergunta à presidente afastada, criticou duramente o cenário econômico e pôs na conta de Dilma a atual crise vivida. Usou as ferramentas e os argumentos que tinha, ainda que pouco.

Não houve destaque ao senador. Primeiro pela reprodução de um discurso batido. Segundo pela evidente prematuridade com que assume a cadeira deixada por Maggi. Terceiro e último, por ter sido escalado para a fala após José Medeiros ler como se deve a cartilha.

Medeiros iniciou seu pronunciamento relembrando tópicos anteriormente respondidos por Dilma. Pontuou e quebrou milimetricamente cada um, até que traçou paralelo com cidades brasileiras carentes de investimentos, como a própria Rondonópolis e sua nunca concluída duplicação da BR-364. Rebateu com propriedade a tese de golpe e mandou sua pergunta à presidente afastada, certeira a ponto de causar evidente irritação em Dilma.

Ainda ontem (29) um dos momentos mais reproduzidos pela imprensa nacional, de todo o interrogatório que se estendeu de manhã até a noite. No senado Medeiros também é novo, mas tem sabido se colocar. Chamado de "senador tampão", hoje é vice líder do governo e ocupa posição de prestígio na Casa Federal.

Quilométrica distância separa três vizinhos em Brasília.