CASO DE POLÍCIA
Candidato e advogado Carlos Naves é preso em Rondonópolis
Segundo os militares, caminhonete foi vista sendo conduzida de forma irregular
30 de Agosto de 2018, 15h31
O advogado e candidato a deputado federal por Mato Grosso, Carlos Naves de Rezende (PV), foi detido por direção perigosa e embriaguez ao volante. Além disso, ele foi acusado pelos policiais militares de tentar intimidá-los usando influência política e da Ordem dos Advogados do Brasil. A reportagem é de Larissa Malheiros, do FolhaMax.
O caso aconteceu na noite desta quarta-feira, no centro de Rondonópolis. Segundo os militares, em rondas pelo centro, a guarnição se deparou com a caminhonete S10 branca, sendo conduzida de forma irregular na pista.
Os policiais deram a ordem de parada através do sinal luminoso e sonoro, porém o condutor empreendeu fuga pelas avenidas. Durante esse percurso, o condutor furou sinais vermelhos e placas de sinalização de parada obrigatória.
Devido aos fatos, os policiais suspeitaram que dentro do veículo pudesse haver reféns, ou até mesmo arma de fogo. Com isso, foram acionadas outras viaturas para o apoio e realização de um cerco.
Eles também relatam que o motorista jogou seu veículo contra as viaturas, colocando em risco a integridade dos policiais. Mesmo com todo cerco, o veículo continuou em fuga, mas os militares continuaram o acompanhamento.
Apenas quando o veículo entrou em uma residência que se encontrava com o portão aberto, foi possível abordar o condutor. O motorista, porém, não aceitou sair do carro e começou a ofender os policiais.
Nesse momento, os policiais utilizaram o uso moderado da força para a retirada do suspeito do veículo. Em seguida, de acordo com os policiais, ele se identificou com Carlos Naves de Resende, advogado e candidato a deputado federal.
Ele salientou por diversas vezes, com o intuito de intimidar as guarnições policiais, usando de sua influência política que iria prejudica-los. Diante dos acontecimentos, ele foi encaminhado até a delegacia com sinais característicos de embriaguez, falta de coordenação motora, fala alterada, nervosismo, desordem nas vestes e falante.
Também foi disponibilizado o etilômetro para que o suspeito realizasse o teste, porém, ele recusou. No entanto, os policiais anexaram o termo de constatação de embriaguez conforme a resolução 432 de 2013. Após ser autuado, ele pagou fiança e foi liberado.
Outro lado
Por meio de nota, o candidato a deputado federal informou que foi vítima de uma abordagem truculenta da Polícia Militar. Ele afirmou que havia saído do aniversário de 1 ano do filho de um amigo e retornava normalmente para casa, quando foi abordado já na entrada de seu escritório.
Ele considerou desproporcional o "envio" de mais de 20 homens da Polícia Militar em sua casa. Além disso, informou que teve suas prerrogativas de advogado violadas pelas autoridades. Ele cobra medidas do partido e da OAB para "defende-lo" no caso.
"Também estamos estudando, junto com meus advogados e meus companheiros de partido, a necessidade de pedido de proteção federal ante as ameaças que eu e minha família estamos sofrendo há alguns últimos meses".
Íntegra da nota:
Na noite de 29 de agosto de 2018, última quarta-feira, retornando do aniversário do filho de um amigo, fui surpreendido na porta do meu escritório de advocacia, na Vila Aurora, em Rondonópolis, pela abordagem truculenta de mais de 20 policiais militares em seis viaturas da Força Tática, tropa de elite da nossa gloriosa Polícia Militar do Estado de Mato Grosso.
De forma agressiva comigo e minha família, tendo arrancado de minha filha seu celular de forma violenta de suas mãos, quando registrava o ato insano e covarde dos policiais, fui acusado de ter furado o cerco de uma blitz e dirigir embriagado.
Pelo fato de eu não ter submetido, acuado e subserviente a tamanho desrespeito dos meus direitos de cidadão e de minhas prerrogativas como advogado, fui conduzido à delegacia e denunciado por condução indevida do meu veículo e desacato à autoridade.
Diante de tamanha arbitrariedade e da disseminação de notícias falsas sobre o episódio, venho esclarecer à Imprensa e ao Povo de Mato Grosso a verdade dos fatos, que desmascara a empreitada policial contra minha a pessoa.
1 - Por que, se eu estivesse de fato com suspeita de embriaguez ou de qualquer outro ato ilícito, a polícia não me abordou imediatamente, preferindo me seguir por quilômetros e fazer uma abordagem na frente do meu escritório, tentando me humilhar na frente de minha família e de meus vizinhos? Qual o interesse disso? O que está por detrás de uma ação totalmente fora dos padrões de abordagem?
2 - Por que um aparato de seis viaturas e mais de 20 policiais fortemente armados para abordar um advogado digno, um pai de família íntegro, vindo do aniversário de 1 ano do filho de um amigo? Que tipo de crime requer tamanha mobilização policial? Certamente as ruas de Rondonópolis, onde com frequência ocorrem assassinatos à luz do dia, não necessitam de tal tipo de atuação.
3 - Ademais, há contradições na narrativa dos policiais, que ora falam de furo de cerco numa blitz e ora mencionam uma ronda. Em ambos os casos, no entanto, o modus operandi dos policiais foi totalmente fora do padrão.
4 - Outro ponto a ressaltar é o fato de os policiais desrespeitarem totalmente a minha prerrogativa de advogado, numa abordagem praticamente dentro do meu escritório e num claro flagrante forjado. Trata-se de um fragrante atentado ao estado democrático de direito.Se fazem assim com um advogado cuja vida pública é notória na sua cidade e em todo o Estado, o que não fazem com um cidadão comum.
5 - A atuação da PM fora dos padrões tem um claro viés político e persecutório, demonstrando que minha pessoa, meus posicionamentos políticos, minha coerência, incomodam poderosos que não possuem intimidade com a democracia.
6 - Por fim, a prática dos policiais escancara o arbítrio de um governo em putrefação, permitindo que uma importante força do aparelho de segurança pública seja colocada a serviço de investidas privadas e interesses políticos desprezíveis, demonstrando o descontrole e que governo de Mato Grosso sucumbe em relação à sua Polícia Militar, força respeitada por mim e por toda a população, mas que é frequentemente usada e abusada em atos ilícitos da administração comandada pelo senhor José Pedro Taques.
Diante do exposto, informo que junto com meu partido, o PV, estamos solicitando um posicionamento das demais agremiações que compõem nossa coligação e também da Ordem dos Advogados do Brasil sobre o total desrespeito dos policiais para com um advogado e que a Secretaria de Segurança Pública tomem as devidas providências.
Também estamos estudando, junto com meus advogados e meus companheiros de partido, a necessidade de pedido de proteção federal ante as ameaças que eu e minha família estamos sofrendo há alguns últimos meses.
Carlos Naves, advogado e candidato a deputado federal.