DOIS ANOS DEPOIS
Candidata à Câmara em 2018, Marildes quebra o silêncio sobre eleição municipal de 2016
“Nunca traí ninguém. Politicamente, me senti enganada”, revela a candidata, hoje no PSB
30 de Agosto de 2018, 11h54
Buscando uma vaga na Câmara Federal em 2018, Marildes Ferreira -PSB, falou, pela primeira vez à imprensa, sobre a escolha pela vice-candidatura na chapa do então candidato a prefeito de Rondonópolis Rogério Salles -PSDB em 2016, considerada o pivô da derrota de Percival Muniz na eleição municipal daquele ano e vitória, por pouco mais de 1,5 mil votos, de José Carlos do Pátio.
À época, a chapa foi acusada -política e publicamente- de traição. Especialmente Marildes sofreu pressão dos adversários e do eleitorado de Percival. Junto a Rogério, a campanha não decolou e o resultado final foi o terceiro lugar na disputa.
Dois anos depois do pleito, Marildes, que se absteve de rebater ás críticas, abre o jogo: "Nunca traí ninguém. Eu era a servidora da Saúde que fazia gestão de projetos do SUS, passei a ser secretária com reconhecimento, achei durante todo o tempo ser filiada a um partido político. No final descubro que fui enganada", diz.
Marildes completa: "Existia um desejo do prefeito na época [Percival Muniz], pelo meu bom desempenho, de me trazer como alguém que poderia se destacar na política. Essa ideia foi alimentada por muito tempo e eu gostei de saber que poderia vir a concorrer, até então como vereadora. De repente esse desejo do prefeito mudou, ele já não em tinha mais como candidata, por interesse próprio. Descobri então que não era mais a preterida e nem mesmo filiada ao partido eu estava. Assinei uma ficha de filiação que nunca saiu da gaveta e hoje qualquer um sabe exatamente o porquê". Ainda em suas palavras. "Politicamente, me senti enganada. Algo que me foi prometido num dia no outro não foi cumprido e, mesmo assim, não usei nada contra ninguém na campanha".
Em 2016, logo após o caso da ficha de filiação sem validade, Marildes se juntou ao PSD. "Até o momento da convenção eu era candidata à Câmara, mas dentro da estratégia do partido me foi proposta a vice candidatura. Como soldada do partido, aceitei o desafio".
Por fim, Marildes explica também a opção do então vice-prefeito, Rogério Salles, em se lançar à disputa eleitoral. "A candidatura do Rogério [Salles] caminhou da seguinte maneira: o Percival não sairia candidato. O Rogério não queria mais sair a vice, o combinado era esse. Depois o Percival resolveu sair, no último minuto... existia algo planejado e depois mudou".
Câmara federal
Em 2018, novos tempos e no PSB, Marildes busca uma vaga em Brasília. A experiência de 2016, segundo ela, lhe ajudou a construir as bases de sua candidatura. "Foi a melhor experiência que tive. Nunca havia falado sobre isso, foi um assunto que guardei. Mas não tenho vergonha, tenho carinho pela pessoa do Percival. Durante aquela campanha andei muito nas ruas da cidade e isso me ajudou a ouvir as pessoas, fortalecer esta minha nova candidatura a federal. Pude saber como as pessoas pensam sobre politica e me sinto hoje preparada".
Pela ordem natural, Marildes pulou etapas. "Nós já temos muitos e bons candidatos a deputado estadual. Não acho que seja uma regra seguir sistematicamente o 'passo-a-passo' dos Poderes. Mais que isso, analiso no campo das oportunidades e vi a Câmara neste sentido. Há uma lacuna quanto aos candidatos a federal aqui na região Sul, e eu, também como mulher, me lancei a ocupar este espaço".
Marildes segue em caminhada pelos municípios, defendendo suas atuações junto a Saúde e Educação no Estado. "Fui do colegiado de cursos de secretários e tive acesso aos 141 município. Hoje a pessoas se lembram disso e me recebe muito bem. Deixei meu trabalho consolidado, uma Saúde humanizada", finaliza.