ANÁLISE
Debate melhor organizado ajudou candidatos a falar do que importa
30 de Setembro de 2016, 09h12
Quilométrica a diferença, em termos de qualidade, dos dois debates transmitidos ao vivo pelas emissoras locais de TV em Rondonópolis. Longe do que se viu no encontro entre os três candidatos a prefeito no último domingo (25), o promovido na noite de ontem pela TV Centro América deu uma verdadeira aula de como se conduzir um evento de tal importância. Não à toa, foi perceptível nos três candidatos maior seriedade e mais preparo para cada um dos assuntos abordados.
Até mesmo o candidato do PSDB Rogério Salles, de perfil mais técnico que político, conseguiu expor a contento aquilo que havia preparado. Antes da análise individual de cada um, porém, mais um ponto a ser comparado nas duas transmissões.
A TV Centro América, afiliada da Rede Globo, manteve alto o padrão. Garantiu a inclusão por meio de tradução simultânea em linguagem de sinais, as libras, e seguiu detalhista. Fez toda a diferença. Organizada, a emissora conseguiu atingir seu propósito.
No campo político, dos questionamentos e condução das pautas a cada candidato, mais um ganho em relação ao apresentado pela outra emissora, TV Cidade, afiliada da Rede Record. A especificação dos temas proporcionou aos prefeituráveis um debate profundo, sem perder visão à demanda do eleitor.
A exemplo, citamos a Saúde, Pasta em três momentos sorteada pelo mediador. A cada retomada, porém, uma especificação: cirurgia eletiva, construção de PSFs, ampliação dos serviços nas unidades existentes, etc. Não houve repetição. Houve discussão de temas primários.
O mesmo se pode dizer de outros temas sorteados: habitação, estacionamento, educação, índice do Indeb, transporte... Está definitivamente de parabéns a TVCA pela aula que deu aos veículos de comunicação.
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Comparações feitas, é hora da análise individual de cada candidato. O texto cima, porém, se fazia relevante na medida em que um debate organizado propicia aos participantes maior engajamento e profundidade nas discussões.
Como já citado, é preciso fazer justiça ao tucano Rogério Salles. Mea-culpa, na análise do debate da Record, esta coluna se referiu ao candidato como mero espectador. Ontem percebeu-se que não por culpa sua.
Salles é técnico, não entra (nem deveria) nas farpas trocadas entre Percival Muniz (PPS) e José Carlos do Pátio (SD). Teve a seu favor o caráter mais aprofundado do debate realizado pela TVCA. Conseguiu debater, expor propostas, reforçar o que chama de novo modelo da gestão pública.
Salles foi por vezes posto contra a parede. Soube devolver a pressão. Direcionou perguntas principalmente ao atual deputado estadual. Se saiu bem quando Zé do Pátio mudou o foco de um questionamento (de estacionamento para tarifa do Pátio Rondon). "Candidato, acho que o senhor não entendeu bem o que está sendo perguntado", resumiu. No mais, o tucano foi pontual.
Entre os três, talvez Zé do Pátio tenha parecido, em certos momentos, o candidato mais amedrontado. Chegou a repetir com todas as letras e palavras bordões de seu programa político. Atacado, teve de sair pela tangente, como se diz, e partir para um discurso brando, nada específico. Articulado, foi bem.
Zé do Pátio, como deputado, teve de ouvir duras palavras quanto sobre sua atuação na Assembleia Legislativa, o compromisso em garantir recursos para o município e o legado deixado por sua gestão de prefeito incompleta. Foi criticado por projetos, atacado pela construção da travessia urbana, etc.
Parte dos ataques vindos de Salles, mas sempre numa subliminar sincronia com a fala de Percival Muniz (PPS). Chegaram os dois, em dado momento, a emendar na réplica e tréplica, um discurso em comum: "culpa da gestão do Zé do Pátio". O deputado chegou a pedir direito de resposta, mas fora-lhe negado o recurso.
Muniz se mostrou mais bem preparado neste debate em relação ao anterior. Dessa vez, improvisou menos, se pautou mais. Mostrou números sobre Saúde e Educação. Num momento mais, digamos, ríspido, foi questionado por Salles sobre o financiamento feito pelo Executivo para a construção da nova ponte sobre o Rio Vermelho. Cambaleou um pouco, mas manteve firmeza na argumentação. No fim, saiu ileso.
Em comum aos três, aquilo que o eleitor tanto queria ver: souberam aproveitar o debate. Fosse qualquer uma a cor da bandeira de quem vota, o principal para quem assistiu pela TV eram as propostas, as pautas e as respostas. Fora alcançado este objetivo.
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EM TEMPO: Assim como no debate da TV Record local, o candidato do PSOL, Rubens Cantuário, não teve direito a participação.