MARCAS PELO CORPO

Polícia investiga caso de bebê mordido em berçário

Delegacia especializada em defesa da criança colhe versões dos envolvidos

por Robson Morais

31 de Janeiro de 2017, 18h01

Polícia investiga caso de bebê mordido em berçário
Polícia investiga caso de bebê mordido em berçário

Bebê de onze meses apresenta marcas por todo o corpo. Foto: Luan Dourado/ GazetaMT

A Delegacia Especializada em Defesa da Mulher, Criança, Adolescente e Idoso investiga a agressão sofrida por uma criança de apenas 11 meses de idade em um berçário particular de Rondonópolis. A ocorrência foi registrada na tarde de ontem (30), logo após os pais da menina tomarem conhecimento do caso, ainda na unidade cuidadora.

A reportagem do GazetaMT entrevistou os personagens envolvidos direta e indiretamente nesta história. Entre os relatos, pontos comuns e outros não tanto. O Conselho Tutelar também segue acompanhando o caso.

A criança, segundo a proprietária do berçário particular, estava em companhia de outras cinco na chamada sala do sono. Havia, como conta, monitora responsável por olhar as crianças. "Uma das crianças apresentou febre e a monitora se ausentou por uns instantes para dar banho nesta criança. Neste meio tempo a fatalidade ocorreu e a menina foi atacada por outra criança. Outra funcionária nossa, que ouviu o choro da menina, foi quem percebeu o que havia acontecido", disse à reportagem Flávia Lima.

A bebê agredida possui marcas de mordidas nas costas, barriga, glúteos, braços, além de ferimentos e arranhões por todo o rosto.  A proprietária continua: "Quando vimos o que havia ocorrido, na hora acionamos tanto os pais da criança mordida quanto os pais da que mordeu".

Somente hoje o caso ganhou repercussão, graças às mídias sociais. "Chegaram a dizer que um adulto havia feito aquilo e nós estamos à disposição para prestar todos os esclarecimentos à polícia", diz Flávia Lima.

Proprietária do berçário contou sua versão em entrevista ao GazetaMT. Foto: Luan Dourado/ GazetaMTA versão da proprietária de que a menina havia sido atacada por outra criança foi confirmada à reportagem pela mãe da menina de 2 anos, suposta autora das mordidas e arranhões. "A ...(nome) já havia demonstrado esse comportamento, já havia me mordido. Apenas comigo ela agia assim, com o pai não", conta. Pela marca da mordida na menina de 11 meses, a mãe diz ter reconhecido. "Quando eu vi as mordidas reconheci os dentinhos dela e o jeito de morder. Quando ela faz isso ela arrasta o dente para trás e dá para perceber a marca. Quando eu vi reconheci, infelizmente".

Versão dos pais

Por enquanto, a delegada responsável pelo caso admite a versão contada tanto pela proprietária quanto pela mãe da menina supostamente autora do ataque, em especial pelo tamanho das marcas de boca espalhadas pelo corpo da bebê. Em conversa com os pais da criança agredida, porém, pontos da história são contados de maneira diferente.

José Cícero, o pai, conta que a esposa fora chamada para comparecer à creche, mas sem que fosse informada sobre o real motivo. Somente no local, tomou conhecimento do caso e chamou o pelo pai. Imediatamente, a polícia militar e o Conselho Tutelar foram acionados.

Na versão do pai da criança, houve omissão por parte da unidade cuidadora. "Os exames mostraram que a agressão não havia sido naquele momento, pelo aspecto das marcas não havia acontecido tudo naquela hora. Passou muito tempo entre a agressão e a hora que nos chamaram", diz.

Ainda segundo o pai, no momento em que chegou ao berçário sua filha dormia, o que comprova a tese de que há um intervalo de tempo entre a agressão e o acionamento dos responsáveis. "Se a gente tivesse sido chamado na mesma hora, iríamos encontrar minha filha chorando, agitada, sangrando. Ela estava limpinha e dormindo. O certo seria eles terem socorrido minha filha na hora", conta. O questionamento do pai embasa as primeiras apurações da polícia, que procura saber por que nenhuma outra monitora percebeu antes que a criança estava sendo agredida.

A bebê passou a noite internada na unidade de Pronto Atendimento infantil e recebeu alta na tarde de hoje (31). Ela foi submetida a exames de Raio-x e recebeu medicação. Os pais agora apelam pela realização de uma tomografia gratuita, que não é oferecida.

A reportagem não conseguiu entrevista com a delegada responsável pelo caso, que seguirá sob investigação.