RONDONÓPOLIS
Para amenizar crise, Prefeitura faz repasses para Santa Casa e Paulo de Tarso
Unidades frisavam possibilidade de paralisação alegando falta de condições financeiras para seguirem com atividades
31 de Janeiro de 2019, 17h30

Em meio à crise financeira que atravessa a Saúde em Rondonópolis, o prefeito José Carlos do Pátio anunciou ontem, 30, repasses financeiros à Santa Casa de Misericórdia e ao Hospital Pauto de Tarso. O recurso municipal tenta impedir que sejam paralisados os serviços nas unidades hospitalares. Na Santa Casa, uma demissão em massa dos profissionais estava marcada para o próximo dia 2 de fevereiro, conforme decidido em assembleia geral.
Para a Santa Casa, o repasse anunciado está na casa dos R$ 1 milhão, recursos que incluem a média e alta complexidade. A unidade hospitalar também já havia recebido aproximadamente R$ 800 mil referentes a manutenção das Unidades de Terapia Intensivas (UTIs), no último dia 24.
Mudança de gestão
Em entrevista, Pátio voltou a defender que a Prefeitura de Rondonópolis vem cumprindo ao longo de toda a gestão, inclusive com adiantamento de repasses à Santa Casa, com os valores determinados na contratualização com a unidade, porém destaca que deve haver mudanças na gestão que não cumpre com metas, especialmente com o município em realização de exames e cirurgias.
Em agosto de 2018, reportagem exclusiva do GazetaMT destacou que, entre janeiro e junho, ao hospital filantrópico já havia recebido quase R$ 23 milhões, somando recursos Federal, Estadual e Municipal. Até o final de 2018, calcula a prefeitura, os valores chegam a quase R$ 50 milhões.
Demissões
A Santa Casa, porém, segue alegando calote do Estado. Com os serviços paralisados desde o dia 7 de dezembro, devido aos salários atrasados há meses, médicos anunciam para o próximo dia 2 de fevereiro um pedido de demissão em massa. Desde o início de dezembro, a maior parte dos serviços hospitalares deixou de ser prestada à população, restante apenas atendimentos de urgência e emergência.
Para médicos da obstetrícia e ginecologia, o último salário fora depositado parcialmente em julho. Desde então, nada mais de pagamento. No inicio do mês, o novo secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, em entrevista concedida para a imprensa da capital, admitiu que há atrasos do Estado para com a Santa Casa de Rondonópolis em torno dos R$ 4 milhões. Desde que assumiu a Secretaria, ele ainda não assinou nenhum pagamento porque não há recursos disponíveis.
Paulo de Tarso
Para o Hospital Paulo de Tarso, o repasse municipal é de R$ 600 mil. A intensão é garantir que os serviços continuem sendo prestados à população pelo Sistema Único de Saúde (SUS) pela relevância da unidade em toda a região.
Conforme noticiado também pelo GazetaMT, no início deste mês, a entidade informou em nota não ter mais condições financeiras de manter suas atividades. "Nossa equipe totaliza 98 funcionários em regime CLT e contamos com voluntários, inclusive a diretoria é voluntária. Atualmente nos encontramos em sérias dificuldades financeiras, recebendo apenas as AIHs", diz a nota. AIH é a sigla para Autorização de Internação Hospitalar, documento que habilita entidades prestadoras de serviços SUS e seu devidos recebimentos de ordem federal. "A complementação financeira do Estado através da contratualização que representa o nosso mais importante recebimento está em atraso desde abril de 2018", expressa o documento.