METRALHADORA

Jornal confirma delação de Riva; promessa é revelar corrupção gigantesca em MT

Ex-deputado entregaria esquema de compra de votos para a eleição da Mesa Diretora da AL

por Rafael Costa - De Cuiabá

31 de Janeiro de 2020, 14h08

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Divulgação

Considerado um dos políticos mais influentes de Mato Grosso nas décadas de 90 e anos 2000, o ex-deputado estadual José Geraldo Riva firmou colaboração premiada com o Ministério Público Estadual no qual revela esquemas de corrupção que atingem toda a classe política de Mato Grosso. A informação foi divulgada pelo jornal A Gazeta na edição desta sexta-feira (31).

A colaboração premiada é o compromisso pelo qual o acusado se compromete a contribuir com a Justiça em troca de redução ou até mesmo extinção de pena em processos criminais em que figura como réu.

De acordo com o jornal A Gazeta, Riva ainda se comprometeu em devolver R$ 50 milhões aos cofres públicos. O acordo de colaboração premiada ainda depende de homologação pelo Tribunal de Justiça. O desembargador Marcos Machado será o responsável em decidir se homologa ou não o acordo.

Nos cinco mandatos de deputado estadual, José Riva sempre alternou nos cargos de presidente da Assembleia Legislativa e primeiro secretário do Legislativo, o que lhe permitiu ser peça-chave nas votações de projetos de interesse do governo bem como conduzir a gestão da Assembleia Legislativa que sempre contou com orçamento anual superior a R$ 500 milhões.

Nos documentos entregues aos promotores de Justiça, o ex-deputado José Riva detalhou que, durante os 20 anos que atuou como deputado (1995-2014), houve pagamentos de propina para 38 deputados com o objetivo de apoiarem o governo do Estado. O valor total do esquema chegou a R$ 175,7 milhões.

Segundo a delação de Riva, o esquema funcionou nos governos Dante de Oliveira (1995-2002), Blairo Maggi (2003-2010) e Silval Barbosa (2010-2014).

Neste mesmo período, Riva ainda afirma que foram gastos mais de R$ 38 milhões para a compra das eleições da Mesa Diretora do parlamento mato-grossense.

A colaboração ainda se encontra em sigilo. Porém, existem rumores de que Riva teria citado membros do Ministério Público e magistrados em seus relatos.

O ex-parlamentar, que atuou na política mato-grossense de 1995 a 2014, teve grande influência política, presidindo o Legislativo por vários mandatos.

As negociações entre José Riva e o MP de Mato Grosso se iniciaram logo após a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) ter negado, em dezembro de 2018 por unanimidade, o seu agravo contra a decisão do ministro Luiz Fux, que anulou o acordo de delação premiada, firmado em 15 de novembro de 2017, ainda no âmbito da Operação Ararath.

Na decisão, o relator, ministro Alexandre de Moraes, manteve o entendimento de Fux por acreditar que Riva teria cometido novos crimes durante a instrução processual. Ele e Fux foram seguidos pelos demais julgadores, os ministros Marco Aurélio, Rosa Weber e Luís Roberto Barroso.

A suspeita é que Riva teria falsificado documentos e obstruído as investigações sobre crimes praticados por ele. Ele foi alvo de busca e apreensão na 14ª fase da operação Ararath, deflagrada no dia 15 de dezembro de 2017, um mês após a sua delação premiada ter sido homologada. Na ocasião, a casa de Riva foi alvo de busca e apreensão, com o objetivo único e exclusivo de apreenderem os seus celulares.