Renúncia de prefeito agrava crise e pode ser 'vingança' contra eleitores de Várzea Grande
31 de Outubro de 2012, 08h31
Foi desconcertante a renúncia anunciada ontem (30) pelo prefeito de Várzea Grande, Sebastião dos Reis Gonçalves, o 'Tião da Zaeli', do PSD. Ele deixou o cargo alegando o desejo de evitar instabilidades administrativas criadas a partir de uma ação movida por um ex-procurador do município, onde Tião é apontado como inapto para o cargo por não ter se desincompatibilizado de suas atividades empresariais em 2009.
A explicação não cola. As denúncias contra Tião da Zaeli são antigas e, se ele tinha mesmo a intenção de preservar o município das tais 'instabilidades', não deveria sequer ter assumido o cargo.
Fontes ouvidas pelo Buxixo dizem que a decisão tem na verdade dois objetivos. O primeiro é evitar os 'dissabores' com a prestação de contas. O segundo objetivo, mais prosaico, seria vingar-se dos eleitores que fizeram Tião amargar o terceiro lugar nas eleições deste ano, quando ele disputou a reeleição
No fundo não dá para saber o que levou Tião da Zaeli a desistir das obrigações como prefeito. Mas, seja como for, abandonar o posto nesta altura do campeonato demonstra, no mínimo, falta de sensibilidade. A renúncia vai causar a paralisação dos serviços em Várzea Grande e abre caminho para uma desorganização que pode, por exemplo, facilitar ações de corrupção neste encerramento da gestão. Uma lástima.
Vale lembrar que Tião da Zaeli chegou ao cargo após a cassação do empresário Murilo Domingos, que também teve uma gestão marcada por problemas e denúncias. Ou seja, o que começou mal está terminando pior ainda.