Em crise
'Nem passa pela cabeça' expulsar Bolsonaro do PSL, diz Luciano Bivar
A crise no partido se agravou, quando Bolsonaro disse a um apoiador para "esquecer" o PSL
31 de Outubro de 2019, 08h25

O presidente do PSL, Luciano Bivar, afirmou em entrevista ao programa Em Foco, da GloboNews, que "nem passa pela cabeça" expulsar o presidente Jair Bolsonaro do partido. E acrescentou que uma eventual decisão sobre sair cabe a Bolsonaro.
A entrevista vai ao ar na próxima quarta-feira (6), às 21h.
A crise no partido se agravou em 8 de outubro, quando Bolsonaro disse a um apoiador para "esquecer" o PSL, acrescentando que Bivar está "queimado para caramba".
Depois disso, o presidente da República passou a defender a "abertura da caixa-preta" nas contas do partido e passou a dizer que pode ser um "presidente sem partido".
Ao ser questionado se há a possibilidade de expulsar Bolsonaro do partido, Bivar declarou:
"Não. Eu acho que seria uma violência e é muito ruim para o país. Isso nem passa pela cabeça porque ele é o presidente, é meu presidente, é seu presidente. Eu acho que tem que se ter um respeito à liturgia, por mais terrível que seja."
Nesta quarta (30), Bolsonaro e mais 23 parlamentares pediram ao Tribunal Superior Eleitoral para bloquear repasses do fundo partidário ao PSL. O grupo também pediu ao TSE para determinar o afastamento de Luciano Bivar da presidência da legenda.
Desde que a crise no PSL se agravou, as alas ligadas a Bolsonaro e a Bivar passaram a disputar a liderança da legenda na Câmara.
O grupo ligado ao presidente da República conseguiu colocar no posto o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente, destituindo Delegado Waldir (PSL-GO).
A entrevista
Leia abaixo alguns trechos da entrevista de Bivar à GloboNews:
Em Foco: O presidente disse pra esquecer o PSL, que o senhor estava queimado. Primeira coisa: o que o senhor pensou quando o presidente falou aquilo?
Bivar: Olha, foi uma facada no coração. Como eu falei, um entristecimento enorme porque eu sempre me dei, me doei, eu tenho amigos empresários, amigos de toda ordem, que sempre contrariam os discursos dele, pela rejeição ao Bolsonaro. E hoje eu não digo 'mas', me cria um certo constrangimento eu falar com alguns amigos e "Olha, Luciano, você tanto tempo falou isso", mas agora pelo menos eu fico quieto, porque eu não sei [...] Mas daqui a pouco isso passa. Esse meu programa, quando você rodar daqui a 6 meses, vai estar vencido. É assim a vida.
Em Foco: O senhor conversou com o presidente depois do começo da crise?
Bivar: Não, não conversei mais com ele.