PRAÇA BRASIL

Servidores de Rondonópolis aderem ao movimento grevista em todo o Estado

Profissionais cobram pagamento integral do RGA após rejeição à proposta do Governo do Estado de parcelamento da dívida

por Robson Morais

31 de Maio de 2016, 10h34

Servidores de Rondonópolis aderem ao movimento grevista em todo o Estado
Servidores de Rondonópolis aderem ao movimento grevista em todo o Estado

Segundo Sindicato, 300 servidores aderiram ao movimento grevista / Foto: Luan Dourado - GazetaMT

Servidores públicos de Rondonópolis aderiram à greve desencadeada nesta terça-feira (31), em todo o Estado . Na manhã de hoje, uma mobilização na Praça Brasil levou às ruas a reivindicação dos profissionais que cobram do Governo do Estado o pagamento do Reajuste Geral Anual (RGA).

De acordo com o movimento, cerca de 300 servidores de sete categorias participam do protesto no município. Ainda de Rondonópolis, outros profissionais viajaram logo cedo em caravana até a capital do Estado, onde ocorrem mais manifestações.

Delegada do Sindicato dos Servidores do Detran (Sinetram), Rosana Brito, conversou com a reportagem do GazetaMT. Classificou como "indecorosa" a proposta anunciada pelo Governo do Estado de parcelar o pagamento do reajuste. "De 11,28% o Governo oferece apenas 5%, parcelando em duas prestações para setembro e outras três para janeiro. A proposta é indecorosa e compromete já o reajuste previsto para o ano que vem", explica. "O RGA não se trata de um aumento de salário, mas sim de uma reposição salarial. É um direito nosso", completa.

 "O RGA não se trata de um aumento de salário, mas sim de uma reposição salarial. É um direito nosso", diz Rosana Brito, Delegada do Sinetram /  Foto: Luan Dourado -GazetaMTFrente aos 300 manifestantes da Praça Brasil, Brito coordena a caminhada que percorre o quadrilátero central de Rondonópolis. A paralisação, aqui e em todo o Estado, é por tempo indeterminado.

Diálogo

Por parte do Governo do Estado, as tentativas de diálogo junto aos servidores fracassaram. A nível de Estado, a maioria dos 31 sindicatos representados pelo Fórum Sindical já tinha indicativo de greve aprovado em assembleias.

Pela manhã, sem a presença da imprensa, o governo discutiu a RGA com o Fórum Sindical no auditório da Secretaria de Administração. Depois de uma hora a portas fechadas os jornalistas foram autorizados a entrar e ouviram explicações do secretário de Gestão, Júlio Modesto, que negociou com os sindicalistas.

Com os jornalistas, Modesto insistiu na tecla da limitação orçamentária para justificar o não repasse integral da RGA, mas disse que aos sindicalistas ofereceu repasse de 5% parcelado em duas vezes, com 2% em setembro e 3% em janeiro de 2017. Pela proposta, os repasses não retroagiriam a maio e seriam incorporados à folha do mês em que fossem efetuados. O secretário salientou que atualmente 50,4% das receitas correntes líquidas são destinadas à folha. Caso o governo repassasse a RGA em sua integralidade esse percentual subiria para 54%.

Modesto destacou que Mato Grosso não pode repassar a RGA porque precisa enxugar sua folha salarial, tanto para equilibrar suas finanças quanto para atender à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que estabelece como limite prudencial 46% das receitas correntes líquidas para o pagamento dos servidores e em 49% o limite legal para tanto. Ele, porém, observou que o funcionalismo receberá o salário dentro do mês e com os reajustes concedidos a algumas categorias.

O governo, segundo o secretário, tem duas ferramentas para reforçar o caixa e, dentre outros compromissos, quitar a RGA: revisão de renúncias fiscais concedidas e o fortalecimento do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira). Finalizando, Modesto salientou que a crise que atinge o Brasil impede que 25 estados repassem a RGA e forçou 15 a parcelarem o salário de maio.

Sindicalistas não aceitaram a proposta e se reuniram com suas bases para tratar do assunto. No começo da tarde o Fórum Sindical apresentou contraposta mantendo a cobrança da RGA integral, mas dando liberdade ao governo para parcela-la em quantas vezes julgar necessário, desde que todas as parcelas sejam incorporadas à folha neste ano e sejam retroativas a maio.

A contraproposta do Fórum Sindical será analisada pela Câmara Fiscal, que é formada por secretarias de Estado. O governo não revelou quando essa análise será concluída.