GOVERNO
Bolsonaro vai a Goiás para assinar concessão de trecho da ferrovia Norte-Sul
31 de Julho de 2019, 09h42
O presidente Jair Bolsonaro embarcou nesta quarta-feira (31) para Anápolis (GO), onde vai participar de cerimônia de assinatura da concessão de um trecho da ferrovia Norte-Sul.
A ferrovia liga a cidade de Estrela D'Oeste (SP) a Porto Nacional (TO) e tem, atualmente, 1.537 quilômetros. O contrato de concessão a ser assinado nesta quarta se refere ao trecho de 855 quilômetros entre Anápolis e Porto Nacional, chamado de tramo central.
De acordo com a Agência Nacional de Transportes Terrestres, o trecho já está concluído e pode começar a ser explorado pela concessionária, a empresa Rumo S.A.
Antes de embarcar para Anápolis, Bolsonaro falou com jornalistas na porta da residência oficial do Palácio da Alvorada.
Bolsonaro destacou que a Norte-Sul, discutida há mais de três décadas, vai nos próximos anos interligar o porto de Itaqui (MA) ao de Santos (SP).
“Daqui a um ano e meio ou dois, vai estar tudo funcionando e vai ajudar muito a escoar a produção do Centro-Oeste”, disse o presidente.
Indicação de Eduardo Bolsonaro
O presidente também comentou a indicação do filho, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para a embaixada do Brasil nos Estados Unidos.
De acordo com o presidente, a indicação vai ser enviada para o Senado assim que os parlamentares voltaram do recesso de meio de ano. Os trabalhos no Congresso recomeçam em 5 de agosto.O Senado é responsável por sabatinar e aprovar nomes de embaixadores.
"Tão logo recomece as atividades, a gente formaliza”, afirmou Bolsonaro. Questionado se será na semana que vem, ele respondeu que "talvez". "Não precisa correr", completou.
Trabalho escravo
O presidente voltou a criticar uma emenda constitucional aprovada pelo Congresso em 2014 que pune com expropriação a propriedade rural que pratica trabalho escravo.
Nesta terça (30), Bolsonaro disse que deve haver a definição clara do que é "trabalho análogo à escravidão" e que uma família proprietária de terra pode perder a fazenda se oferecer aos trabalhadores itens como "[pequena] espessura do colchão, recinto com ventilação inadequada, roupa de cama rasgada".
Nesta quarta, questionado se tentaria reverter a emenda, ele respondeu: "Tem que ganhar a guerra da informação primeiro".
Comissão da Verdade
Bolsonaro foi perguntado na entrevista se houve quebra de decoro nas suas declarações sobre o desaparecimento e morte do opositor do regime militar (1964-1985) Fernando Santa Cruz Oliveira, pai do atual presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz.
Segundo o presidente, não há quebra de decoro e a história não pode ter “um lado apenas”. Bolsonaro voltou a questionar a legitimidade do trabalho da Comissão Nacional da Verdade, que apurou crimes cometidos durante a ditadura. Criada por lei, a comissão funcionou durante o primeiro mandato de Dilma Rousseff.
“Como eu sempre disse, né, alguém acredita que o PT está preocupado com a verdade? Tá de brincadeira. Quando aqueles caras criaram o nome Comissão da Verdade, eles deram gargalhadas. Vocês da imprensa sabem o que é informação, contrainformação e contra-contrainformação. É muito simples”, afirmou.
Bolsonaro disse durante a semana que contaria a Felipe como o pai despareceu e, em seguida, afirmou que Fernando foi morto por um grupo de esquerda do qual fazia parte.
O atestado de óbito de Fernando e o relatório da Comissão Nacional da Verdade, com base em documentos da Aeronáutica e da Marinha, contrariam a versão. Os registros dizem que Fernando, preso em 1974, foi morto quando estava sob custódia do Estado brasileiro.