Lupa

Observatório Social quer saber quantos funcionários foram contratados sem concurso pela Prefeitura

Presidente da ONG, Nezir Ribeiro de Freitas, já protocolou um requerimento e prometeu divulgar as informações à imprensa

por GazetaMT

31 de Agosto de 2012, 02h29

Observatório Social quer saber quantos funcionários foram contratados sem concurso pela Prefeitura
Observatório Social quer saber quantos funcionários foram contratados sem concurso pela Prefeitura

Nezir Freitas quer a divulgação dos dados referentes ao funcionalismoA presidente do Observatório Social de Rondonópolis, Nezir Ribeiro de Freitas, informou ontem (30) que protocolou um requerimento para que a Prefeitura apresente os número oficiais sobre o quadro de servidores existente atualmente. Apesar de ainda não ter uma confirmação sobre o atendimento do pedido, ela disse que, caso consiga, divulgará as informações durante a prestação de contas quadrimestral da ONG, marcada para o próximo dia 19 de setembro.

No requerimento foi solicitado o número total de servidores, os cargos que exercem e onde estão lotados. O Observatório Social quer saber também quantos foram contratados sem concurso público e o montante gasto mensalmente pelo município com a folha de pagamentos.

"A Prefeitura tem prazo de 10 a 15 dias para dar resposta ao requerimento e estamos otimistas. O Observatório Social existe para garantir a transparência e, se conseguirmos as informações, vamos repassá-las à imprensa e à sociedade durante a próxima prestação de contas das ações em Rondonópolis", asseverou.

A reportagem ouviu também o presidente do IPPUR, Galeno Tadeu Esteves, que disse não ter conhecimento oficial sobre o pedido. Apesar de ter autorização para falar em nome da Prefeitura, Galeno, que tem status de secretário municipal, disse que só o prefeito Ananias Filho pode decidir se liberará ou não as informações solicitadas.

"O observatório é parceiro da Prefeitura, mas não tenho conhecimento oficial desse pedido e não posso adiantar nada antes de conversar com o prefeito Ananias Filho", informou Galeno.

Histórico

O Observatório Social de Rondonópolis foi criado em 2009 e é mantido por empresários da cidade. A ONG faz parte de uma rede que que surgiu há quatro anos no Paraná e hoje está presente em mais de 60 cidades do País.

A entidade não tem fins lucrativos e se propõe a coordenar um movimento de vigilância social sobre o Poder Público. O principal objetivo é acompanhar o uso do dinheiro arrecadados em impostos e, se for o caso, denunciar e cobrar a punição de irregularidades cometidas por gestores públicos.

A ONG montou um sistema de acompanhamento de publicações de editais da Prefeitura Municipal de Rondonópolis e cadastra empresas em um software que avisa os empresários quando é aberta uma nova licitação. A medida visa garantir que mais pessoas/empresas participem das concorrências, evitando o direcionamento do edital.

No curto período de atuação, o Observatório Social detectou problemas em processos realizados pela Prefeitura de Rondonópolis. O mais grave ocorreu em agosto do ano passado, quando a ONG conseguiu evitar o desvio de R$ 1,9 milhões destinados a investimentos na Saúde Pública.

O ex-prefeito José Carlos do Pátio (PMDB) tentou usar o dinheiro para a construção de um shopping popular, mas o Observatório Social fez a denúncia e o prefeito acabou desistindo da obra. Porém, em retaliação, a Prefeitura impediu durante quatro meses que o Observatório Social tivesse acesso as documentações do setor de licitação.

O bloqueio só foi rompido por intervenção da Câmara Municipal, que, na época, era formada majoritariamente por vereadores que faziam oposição a José Carlos do Pátio.