Crise dos silos

Mato Grosso não tem espaço para armazenar 18 milhões de toneladas de grãos

Maior celeiro do país, o Estado de Mato Grosso, com produção prevista de 51,203 milhões de toneladas de grãos na safra 2014/15

por GazetaMT

31 de Agosto de 2015, 16h39

Mato Grosso não tem espaço para armazenar 18 milhões de toneladas de grãos
Mato Grosso não tem espaço para armazenar 18 milhões de toneladas de grãos

Maior celeiro do país, o Estado de Mato Grosso, com produção prevista de 51,203 milhões de toneladas de grãos na safra 2014/15, tem capacidade para estocar apenas 32,288 mi/t. Falta espaço adequado para guardar 18,814 mi/t. de cereais, segundo cálculos divulgados nesta segunda-feira, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). "A carência real de unidades armazenadoras concentra-se nas regiões de fronteira agrícola", disse o presidente da Conab, Rubens Rodrigues dos Santos.

Em todo o país, a estima de déficit de capacidade de armazenagem na atual safra brasileira de grãos chega a 53,729 milhões de toneladas. A última previsão é que Brasil retire do campo 208,8 milhões de t. em 2015. De acordo com o órgão, o país pode armazenar 155,139 mi/t., a maior parte em silos privados. A capacidade de armazenagem da rede pública restringe-se a 2,3 mi/t., com silos construídos pela antiga Companhia Brasileira de Armazenamento, extinta em 1990.

Segundo a Conab, a área é quase totalmente desprovida de infraestrutura de armazenagem. Foto - AssessoriaRubens Rodrigues esclarece, porém, que a capacidade de armazenagem não tem que ser igual à produção, porque as culturas são colhidas em meses diferentes. Em regiões com duas ou três safras no ano agrícola, e em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo, há superávit de armazéns herdados do auge do ciclo do café.

Outra região com carência de armazéns é a mais recente fronteira agrícola do país, formada por terras do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia,conhecida como "Matopiba". Segundo a Conab, a área é quase totalmente desprovida de infraestrutura de armazenagem e carente de condições logísticas para escoamento da produção.

Em razão das dificuldades dos produtores rurais para guardar a colheita, nas áreas de maior aumento de produtividade, o governo instituiu, no Plano Safra 2012/13, uma linha de crédito específica, no valor de R$ 25 bilhões, para investimento em armazenagem. Destinado a produtores rurais, associações e cooperativas, os financiamentos serão oferecidos até a safra 2017/18.

Operada pela Caixa Econômica Federal, pelo Banco do Brasil e por bancos públicos regionais, a linha de crédito do Programa de Construção de Armazéns tem juros de 7% ao ano. O tomador tem três anos de carência e mais 12 anos para pagar o financiamento.

 

Com informações de Agro Olhar