OPINIÃO
A saúde nas mãos da Inteligência Artificial
31 de Agosto de 2023, 11h01
Já ouviu falar em anamnese? Eu não sou nenhum especialista em saúde mental, mas já ouvi dizer que este é o primeiro passo para que você possa entender os mais profundos problemas que uma pessoa pode ter. E que se aplica em qualquer área da saúde.
Agora, e se a anamnese, que se trata de uma gama de informações iniciais que podem ser cruciais ao diagnóstico, fosse realizada por meio de Inteligência Artificial (IA)? Imagina um mundo onde a IA fosse programada para fazer todas as perguntas necessárias, de acordo com os sintomas das pessoas – psicológicos ou físicos, e formasse um banco de dados daquele paciente para que ele fosse pra próxima fase.
A partir disso, dentro desta programação, teríamos a indicação de diagnósticos e de médicos especializados, que realmente resolveriam os problemas. Pensando, principalmente, que 40% dos erros médicos acontecem apenas no momento da consulta (Dados OMS). Como exemplo, uma pessoa que é adicta, o programa de anamnese, com base nos dados que têm, acredita que uma deficiência específica do paciente está relacionada com o consumo de drogas, isso já vai levar o tratamento a outro patamar, ou seja, uma resolução mais rápida e eficaz.
A estratégia seria realizada a partir de uma pesquisa em todos os artigos científicos e dados disponíveis, a IA vai entregar ao médico um plano de ação muito eficiente. E, após o tratamento, o paciente volta com as informações que irá alimentar ainda mais o aprendizado de máquina e aprimorar para os próximos atendimentos resolvendo questões que sempre ficam para trás, como: o tratamento funcionou? Aquele remédio é o melhor? O encaminhamento ao médico específico ajudou? Entre outras perguntas que fariam parte dos dados e serviriam de embasamento para a próxima consulta de uma pessoa com os mesmos problemas.
Outro ponto importante para se defender: a consulta inicial com a IA é o fator mercadológico. Saúde não era para ser um produto, mas infelizmente é caracterizada como negócios. Imagina que o paciente vai em um otorrinolaringologista, acha que seu problema está na queimação e outros sintomas da laringe, mas, na verdade, é refluxo. Com certeza, sua indicação seria ir ao gastroenterologista, mas o otorrino é médico, sabe que um inibidor de bomba de prótons resolve e receita, porque ele não quer perder o paciente.
Enfim, no caso acima, o médico que receitou não é um especialista, não está por dentro de novos estudos e o paciente acaba medicado arcaicamente. Se a anamnese fosse feita pela IA, com certeza teria um plano de tratamento melhor e o encaminhamento ao médico certo.
Ainda, quando o médico resolve não seguir a estratégia de tratamento da IA, isso fica registrado, e se não há melhora do paciente, aquilo será reportado aos órgãos competentes, que investigariam o método daquele profissional, e aplicariam o que a base mundial de dados preconiza sobre aquela doença como o melhor caminho.
IA na saúde significa melhor qualidade de vida, aumento da expectativa de vida, e mais dados para que os pesquisadores possam criar novas curas - é importante lembrar disso quando os críticos se manifestarem ao dizer que a tecnologia não é perfeita - o ser humano também nunca foi, e nem por isso deixamos de ir ao médico quando estamos sofrendo - mas com IA as chances de erro irão diminui.
*Daniel R. Schnaider é jornalista e CEO da Platform Capital, fundo de investimento especializado em Inteligência Artificial e Mobilidade. Aos 14 anos desenvolveu a plataforma de eCommerce utilizada no exterior pelos Correios e pela Pizza Hut, teve passagem pela 8200 - unidade de Inteligência Israelense, IBM e CEO no Brasil de uma multinacional voltada à IoT, Big Data e IA.