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Produtores querem ampliar janela para plantar soja em Mato Grosso

As informações partem de produtores mato-grossenses que têm dificuldade, nesse momento

por GazetaMT

04 de Janeiro de 2016, 08h58

Produtores querem ampliar janela para plantar soja em Mato Grosso
Produtores querem ampliar janela para plantar soja em Mato Grosso

Voltou a chover em algumas áreas de Mato Grosso ontem de madrugada, regiões que vêm sendo castigadas pelo tempo extremamente seco. Os volumes, no entanto, variam de 2 a 8 mm em municípios como Sorriso, Vera, Canarana e Ipiranga do Norte, de forma muito localizadas e, portanto, insuficientes para amenizar a situação local ou trazer algum alívio, de acordo com o Notícias Agrícolas

As informações partem de produtores mato-grossenses que têm dificuldade, nesse momento, até mesmo para decidir suas próximas ações. Em alguns casos, muitos irão fazer o replantio de suas lavouras de soja pela terceira vez, em outros, a opção está sendo o plantio de milho. A única certeza é a de em inúmeras áreas as perdas já são irreversíveis.

"Voltou a chover por aqui, mas onde já se perdeu, perdeu. Não tem mais jeito. Em algumas áreas, dá pra colher de 3 a 5 sacas por hectare, o que também não compensa, pois esse é o custo de uma colheita. E ainda há áreas que não receberam nem mesmo o primeiro plantio, esse é o meu caso", lamenta o produtor rural Gilberto Peruzi, de Sorriso, com áreas em Ipiranga do Norte e Vera.

Para Peruzi, a prorrogação emergencial do plantio no estado para 15 de janeiro é insuficiente e é necessário que o período permitido se estenda até o próximo dia 31. Afinal, as últimas previsões climáticas ainda mostram chuvas irregulares e, por isso, não é possível concluir a semeadura em um tempo tão ajustado.

"Em uma das minhas áreas tenho ainda dois mil hectares para serem plantados e, com essas condições de chuvas, não consigo plantar tudo até o dia 15. Vai ser preciso escalonar esse plantio e não dá tempo", explica o produtor. "Estamos com previsões de chuvas ainda irregulares e com a possibilidade de elas se normalizarem só da segunda semana de janeiro para frente", completa.

Assim, os técnicos agrícolas e especialistas continuam nos campos, levantando os prejuízos e contabilizando as perdas causadas pela seca para que sejam gerados laudos e material suficiente para, entre outros objetivos, justificar a necessidade de um período maior à semeadura.

Na próxima segunda-feira, 4 de janeiro, um novo pedido de prorrogação à soja deverá ser protocolado em Cuiabá, Mato Grosso, pelos sindicatos e entidades de classe. A expectativa é grande, uma vez que não só a sojicultura é prejudicada pelas atuais condições de clima, como a safrinha de milho que também exige atenção.

"Por conta desse atraso no plantio da soja, minha área de milho safrinha será reduzida em 30%", afirma Peruzi.

PROIBIÇÃO - Paralelamente, um outro assunto veio às discussões nesse período em que se observa a conturbada evolução da nova safra brasileira de soja: o vazio sanitário. O período, que em Mato Grosso está estipulado para valer de 5 de maio a 15 de setembro, tem como principal objetivo combater a ferrugem asiática. No entanto, o clima excessivamente quente no Estado vem inibindo o aparecimento da doença e gerando questionamentos sobre a necessidade do intervalo proibitivo.

"Esperamos mudanças também no vazio sanitário aqui de Mato Grosso. Com esse clima quente, não tem ferrugem. Então, para que o vazio?", questiona o produtor Gilberto Peruzi, que relata que sobre isso entidades, especialistas e produtores também estão em discussão para definir se as mudanças virão e quais serão.