OPINIÃO
2026: O ano de consolidação dos projetos condominiais sustentáveis
04 de Janeiro de 2026, 06h10
O conceito de sustentabilidade deixou de ser uma pauta periférica para se tornar central na gestão de ativos e na vida em comunidade. Em 2026, verifica-se um movimento claro de consolidação de projetos condominiais sustentáveis, impulsionado não apenas por pressões ambientais globais, mas também por ganhos sociais, econômicos e de governança que impactam diretamente a qualidade de vida dos moradores e a valorização dos imóveis.
Essa transformação acompanha a crescente adoção da agenda ESG (Ambiental, Social e Governança, em tradução livre) no setor imobiliário brasileiro e, mais especificamente, na administração de condomínios. Organizações representativas, como o Secovi-SP, reforçam essa transição. O sindicato disponibiliza o Guia ESG: Melhores práticas para o setor imobiliário, preparado em parceria com consultoria especializada, que orienta agentes do mercado sobre como implantar práticas sustentáveis e de governança robusta em empreendimentos residenciais e comerciais.
O material demonstra que o ESG deixou de ser um diferencial e passou a ser um componente essencial da gestão moderna no setor imobiliário. No cotidiano dos condomínios, a adoção de práticas ESG se reflete de forma concreta. No pilar ambiental, ações como a redução do consumo de água e energia, programas de reciclagem, aproveitamento de água de chuva, uso de iluminação mais eficiente e geração própria de energia a partir de fontes renováveis já não são exceção.
Esses esforços não apenas reduzem a pegada ambiental como também geram economia substancial nas contas de consumo, mostrando que sustentabilidade e eficiência financeira caminham juntas. Indicadores práticos, como consumo de energia por mês, volume de água consumido e taxa de reciclagem estão sendo incorporados à rotina de gestão, permitindo decisões mais precisas e transparência no desempenho ambiental.
O pilar social da agenda ESG também ganha relevância em condomínios brasileiros. Projetos que promovem inclusão, bem-estar coletivo, educação ambiental e atividades comunitárias fortalecem a coesão entre os moradores e ampliam os benefícios desses espaços além da mera moradia. Iniciativas como hortas comunitárias, campanhas de conscientização sobre reciclagem e ações voltadas à segurança e convivência harmoniosa já aparecem com mais frequência nas pautas de assembleias e encontros de moradores.
No âmbito da governança, a profissionalização da gestão condominial tem avançado com mais transparência, prestação de contas estruturada, adoção de processos participativos e uso de ferramentas digitais que facilitam a comunicação entre síndicos e condôminos. A governança sólida é um dos pilares para que projetos sustentáveis sejam implementados e mantidos ao longo do tempo, pois cria confiança e apoio nas decisões estratégicas que envolvem investimentos e prioridades coletivas.
Outro fator que tem catalisado esse movimento é a expansão do ecossistema de inovação focado em soluções para o mercado condominial. Diversas startups e fintechs têm desenvolvido produtos e serviços que permitem aos condomínios acessar linhas de crédito, financiamento e instrumentos financeiros adaptados às suas necessidades, viabilizando a execução de projetos ESG sem depender exclusivamente de aportes imediatos dos moradores. Essas soluções incluem modelos de crédito projetados para financiar iniciativas sustentáveis, como geração de energia renovável, modernização de sistemas elétricos e hidráulicos, implantação de sensores inteligentes para monitoramento de consumo e outras melhorias que aumentam a eficiência operacional.
Ao oferecer modelos de financiamento que podem ser pagos gradualmente com parte da economia gerada pelas próprias melhorias, por exemplo, redução de tarifas de energia em decorrência da adoção de sistemas mais eficientes, essas tecnologias financeiras reduzem a barreira de custo inicial e permitem que condomínios de diferentes portes adotem práticas mais sustentáveis. Essa convergência entre tecnologia, capital e sustentabilidade fortalece a agenda ESG, transformando metas ambientais em projetos concretos e mensuráveis.
Esses avanços demonstram que 2026 está se consolidando como um marco para a sustentabilidade condominial no Brasil: ideias e práticas que até recentemente eram pontuais estão se tornando parte do padrão de gestão. A combinação de diretrizes setoriais, como o Guia ESG do Secovi, governança mais profissional, maior consciência dos moradores e soluções financeiras inovadoras cria um ambiente em que o ESG é implementado de forma contínua e prática, não apenas discutido como ideal teórico.
Quando a sustentabilidade se torna uma parte integral da gestão condominial, os resultados vão além da redução de custos: há maior transparência, maior engajamento dos moradores, melhor qualidade de vida e valorização dos imóveis, são fatores que vêm ganhando importância crescente entre compradores e investidores.
Assim, condomínios que abraçam essa agenda não apenas melhoram seu desempenho operacional, mas também contribuem de forma concreta para cidades mais resilientes, inclusivas e equilibradas. A meu ver, se 2025 foi o ano da conscientização, 2026 já se consolida como o ano da implementação estruturada da sustentabilidade condominial, um momento em que ESG deixa de ser um conceito aspiracional e passa a integrar, de fato, a administração cotidiana de condomínios em todo o país.
*Ricardo Chalfin é CEO e fundador da Wind Capital, uma empresa especializada em soluções de crédito condominial, que vem transformando o acesso a recursos financeiros no setor imobiliário e condominial, oferecendo crédito ágil, descomplicado e com desembolso em até 24 horas, permitindo que condomínios e fornecedores tenham um fluxo de caixa saudável e impulsionam projetos sustentáveis, obras e despesas operacionais.