O Golpe está em curso

por Por Eduardo Ramos

04 de Novembro de 2015, 08h43

O Golpe está em curso
O Golpe está em curso

A presidente Dilma e seus aliados têm propagado que seu governo é alvo de uma tentativa golpista. É uma meia verdade. Há, de fato, um golpe em curso. Mas as vítimas somos nós, o povo brasileiro. E Dilma, o PT e seu governo são parte da aliança formada para nos atacar. E as evidências disso são cada vez maiores.

Nesta semana o PMDB, aliado preferencial do PT, moveu novamente o torniquete golpista que ameaça nos esmagar. Num documento público apresentou uma série de 'propostas' para tirar o Brasil da crise econômica, que eles mesmos criaram. Aliás, a própria crise é parte da estratégia golpista.

Para 'tirar o Brasil da crise' o PMDB sugere aprofundar a dilapidação de direitos trabalhistas e do patrimônio nacional. Propõe privatizar empresas e bancos públicos, tornar acordos mais importantes que leis trabalhistas, tirar qualquer proteção sobre o poder de compra de salários e aposentadorias, acabar com os investimentos obrigatórios em Saúde e Educação. Nenhuma palavra sobre combate à corrupção, taxação dos mais ricos, redução de juros ou aperto aos sonegadores.

Sim, alguns petistas e talvez a própria Dilma venham contestar as propostas do parceiro PMDB. Será puro teatro. Ao final acatarão boa parte das medidas, que, convenhamos, são uma sequência natural da série de maldades já perpetradas pelo atual Governo contra trabalhadores, aposentados, pensionistas, desempregados e todas as pessoas de bem que tentam sobreviver com dignidade.

A questão, amigo leitor, é que nada do que está sendo feito e proposto foi combinado com o povo na eleição do ano passado. Nenhum candidato a deputado federal, senador, governador ou presidente defendeu publicamente a tungada nos direitos trabalhistas, a redução de programas sociais, os cortes nos investimentos em Saúde e Educação ou o aumento da carga tributária. Aliás, como até Lula já admitiu, em campanha os candidatos diziam exatamente o contrário...

Repito, temos em curso um projeto golpista que pretende fragilizar o País e manter as condições para que nós, brasileiros, continuemos sendo roubados - pelos banqueiros, rentistas, políticos e empresários de sempre.

É bom dizer que não temos no Congresso Nacional, no Judiciário e muito menos no Executivo representantes em número suficiente para fazer a defesa do País. A reação cabe a nós e precisa ser radical. Um bom início seria exigir a renúncia dos atuais mandatários, realizando no ano que vem, junto com a eleição municipal, um grande debate nacional e a escolha de novos líderes para conduzir o Brasil na direção que desejamos.

Estamos numa encruzilhada histórica e, se aceitarmos o golpe, condenaremos as próximas gerações a viverem num País miserável, corrupto e sem perspectiva.