OPERAÇÃO IFRIT
Polícia Federal desarticula rede criminosa transnacional com alvos em Rondonópolis e mais seis estados
O inquérito também expõe o envolvimento de agentes públicos no esquema criminoso, resultando no afastamento judicial de três policiais civis de suas funções
04 de Novembro de 2026, 09h08
Na manhã desta quarta-feira (4), uma força-tarefa composta pela Polícia Federal (PF) e pela Receita Federal deflagrou a Operação Ifrit, com alvos em Rondonópolis, a ação é voltada ao desmantelamento de uma poderosa organização criminosa transnacional. Com ordens judiciais expedidas pela Justiça Federal de Campo Grande (MS), a ofensiva simultânea atinge sete estados brasileiros: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Goiás e Rondônia.
No estado mato-grossense, Rondonópolis figura entre os alvos estratégicos das investigações. Equipes federais concentraram diligências em um imóvel situado na Vila Kamal Jumblat, na divisa com o Jardim Adriana, onde viaturas da PF foram mobilizadas para o cumprimento de ordens judiciais.
Estrutura do esquema e crimes investigados
Conforme os levantamentos conduzidos pelos órgãos de segurança, a facção era comandada por um núcleo familiar e mantinha ramificações interestaduais e internacionais. O grupo é apontado como responsável por gerenciar uma complexa rede de tráfico transnacional de drogas, tráfico internacional de armas e lavagem de dinheiro, além de estar associado a crimes violentos como execuções, sequestros, sessões de tortura e atentados.
As investigações revelam que a célula principal operava na faixa de fronteira entre Ponta Porã (MS) e a cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero. O esquema logístico contava com armamento de grosso calibre, veículos blindados e esquemas de coerção para garantir o domínio territorial. Os entorpecentes e armamentos eram obtidos na Bolívia, no Peru e no Paraguai, com rotas de distribuição internas no Brasil e remessas destinadas ao mercado europeu, com ênfase na Espanha e em Portugal.
Escopo da operação e corrupção sistêmica
A ofensiva mobiliza um efetivo robusto para cumprir dezenas de ordens judiciais expedidas, englobando:
76 mandados de busca e apreensão;
25 mandados de prisão preventiva;
1 mandado de prisão temporária;
3 medidas cautelares de monitoração eletrônica.
O inquérito também expõe o envolvimento de agentes públicos no esquema criminoso, resultando no afastamento judicial de três policiais civis de suas funções. Entre os investigados por conexões com a rede criminosa também constam policiais militares de Mato Grosso do Sul e um policial rodoviário federal.
As apurações continuam em andamento e novas diligências poderão ser deflagradas à medida que os materiais recolhidos forem periciados pelas autoridades competentes.